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Arte, em tons de azul e amarelo, a partir das fotos de pais e filhos que aparecem na reportagem.

Paternidade, memória e reconhecimento: exemplos que atravessam gerações na Justiça do Ceará

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Cinco décadas atrás, no Centro de Fortaleza, em um prédio cuja arquitetura segue como símbolo de preservação da memória da cidade, era possível ouvir o som de pés apressados pelo chão de madeira. Preocupados, os servidores deixavam suas cadeiras para tentar descobrir de onde vinha tal barulho e, se deparavam quase sempre com um menino de pouco menos de 10 anos de idade, que ali se divertia com a naturalidade de quem se sentia em casa.

Ele era filho de um servidor e, desde que se lembrava, tinha o então chamado “Palácio da Justiça” como extensão da própria escola. “Meu pai começou como auxiliar de serviços. Sempre foi estudioso, transformou-se em professor, foi galgando espaço no Tribunal, que na época era bem pequeno, até chegar a subsecretário, o que equivaleria ao cargo de vice-diretor geral. Passado mais um pouquinho de tempo, ele chegou a diretor geral”, lembra o filho, hoje com 58 anos, do servidor Cid Gerardo Paracampos Liberato.

Foi naquele prédio, por onde circularam grandes nomes da Justiça cearense e brasileira, como a desembargadora Auri Moura Costa, a primeira juíza do país, que aquela criança começou, sem saber, a desenhar o futuro. “O meu pai era um servidor muito abnegado, tinha uma vontade de trabalhar muito grande. Ia de manhã e à tarde para o Tribunal. Pela manhã, ele ia sem paletó porque [o ambiente] era mais informal. À tarde, não. Estava sempre de paletó. Era uma característica dele. Ele nunca foi da área jurisdicional — sempre foi da administrativa — mas a gente lidava com muito processo físico, e eu fui criando gosto. Evidentemente isso me influenciou”, conta, vestindo um paletó cinza, o desembargador Mauro Ferreira Liberato, atual vice-presidente do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE).

“Quando eu andava correndo pelos corredores, eu não me imaginava vice-presidente. Nem naquela época e nem depois, já adulto. A minha mãe queria que eu fosse agrônomo, mas meu pai sugeriu o Direito, e achei que escolhi o caminho correto. Meu pai era meu porto seguro, era um homem experiente, servidor público, que tinha uma deferência muito grande ao Tribunal e à nossa sociedade. Era uma pessoa de um coração gigante e, graças a Deus, herdei tudo isso dele”, conta, orgulhoso, o desembargador, enquanto brinca dizendo: “Eu posso dizer que tenho, literalmente, 50 anos de TJCE, só não como magistrado”.

 Foto em preto e branco, inserida como um post it, em um fundo amarelo bem claro, com um coração azul maior no lado esquerdo e pequenos corações amarelos escuros no canto inferior direito. Na imagem, um menino ladeado por dois homens de paletó.
O ainda menino Mauro Ferreira Liberato, ladeado pelo então subsecretário do TJCE, Alberto Banhos (de branco), e pelo pai, Cid Gerardo Paracampos Liberato, começava, sem saber, a desenhar o futuro. 

 

Prova de que o exemplo pode levar a grandes conquistas, a história entre pai e filho não é a única que ecoa entre os corredores da sede da Justiça estadual. Em 2026, nos bastidores das transmissões que reforçam a transparência do Judiciário, um novo pai aguarda ansioso para conhecer o filho Davi Lorenzo. “Ser pai, ter uma família, sempre foi um dos meus sonhos. Há oito meses, minha esposa me disse que tinha um presente, fui desembrulhando e, quando vi o sapatinho, comecei a chorar”, recorda Régis Davi Batista, operador de som no TJCE.

Para ele, a vontade de ser pai é tão natural quanto respirar. “Sou muito ligado ao meu pai. Tenho memórias da gente jogando juntos, saindo pra passear, assistindo desenhos….E eu só quero repetir isso com meu filho. Meu pai ficou muito feliz por ser avô. Toda a família ficou. É algo que ele também sempre quis. Não posso falar muito porque começo a chorar”, afirma Régis Davi, que, mesmo com a data de parto prevista apenas para setembro, já comemora seu primeiro Dia dos Pais neste domingo (09/08).

Foto colorida, inserida como um post it, em um fundo amarelo bem claro, com um coração azul maior no lado esquerdo e pequenos corações amarelos escuros no canto inferior direito. Na foto, um casal formado por um homem e uma mulher grávida abraçados, olhando e segurando a barriga dela.
O pai, Régis Davi Batista, e a mãe, Ana Cristal, aguardam ansiosos para conhecer o filho Davi Lorenzo.

 

Entre a antiga sede do Judiciário cearense, no Centro, e a nova, no Cambeba, uma história sobre outro tipo de reconhecimento está sendo escrita em meio às paredes clássicas do Fórum Professor Dolor Barreira, no bairro Aldeota, em Fortaleza. Lá, três anos atrás, o analista Judiciário Francisco Robson Colares Menezes teve um vislumbre do passado quando o filho, Raulyson Moura Rocha Colares, tomou posse no mesmo cargo efetivo que havia assumido 25 anos antes. “Ele está seguindo os passos do pai”, declarou Robson, à época, em entrevista ao Portal do TJCE.

Hoje, atuando no Núcleo de Auxílio à Produtividade (NAP) das Turmas Recursais, o filho confirma: “Ter seguido um caminho parecido com o dele é motivo de muito orgulho”. Para Raulyson, o dia da aprovação segue marcado como “um dos momentos mais felizes da nossa família”. “Foi ele quem me incentivou a estudar para aquele concurso, insistindo para que eu aproveitasse a oportunidade. Quando contei que tinha sido aprovado, a emoção foi compartilhada. Era a realização de um sonho meu, mas também a concretização de todo o apoio, incentivo e confiança que ele depositou em mim”, lembra.

Rodeado por autoridades da Justiça estadual e por familiares emocionados, Raulyson tornou-se servidor público no prédio que salta aos olhos de quem passa pela avenida Santos Dumont, escrevendo, assim, mais um capítulo da história da família Colares junto ao Judiciário do Ceará. “Olhar para ele naquele dia foi uma das maiores recompensas de toda essa jornada. Além de ser um exemplo como profissional, sempre esteve presente nos momentos mais importantes da minha vida”, rememora Raulyson.

Foto colorida inserida como um post it, em um fundo amarelo bem claro, com um coração azul maior no lado esquerdo e pequenos corações amarelos escuros no canto inferior direito. Na fotos, três homens posam sorridentes.
O analista Judiciário Francisco Robson Colares Menezes prestigiou a posse, no mesmo cargo, do filho, Raulyson Moura Rocha Colares. Entre eles, o então presidente do TJCE, Abelardo Benevides Moraes. 

 

Aproximadamente 450 km além dos limites da Capital, em Brejo Santo, a palavra “reconhecimento” conquistou um novo sentido com o nascimento da pequena Isis, filha do servidor Antônio Raimundo do Nascimento, que atua no Cejusc da Comarca. Há 10 anos, ele, que já era pai de Mariana, viu seus dias ganharem novos contornos quando a filha mais nova foi diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA). “Ela tinha dois anos e não verbalizava. Daí veio a nossa preocupação. Fizemos consultas, investigamos e chegou-se à conclusão de autismo, TDAH e déficit intelectual. Começamos o tratamento dela em 2016”, detalha.

A partir do diagnóstico, Antônio, servidor desde 1995 e, na época, vivendo seu 11º ano como diretor de secretaria, reconheceu-se, antes de qualquer outra função, como sendo prioritariamente pai. “Para que eu pudesse acompanhá-la nas terapias, eu renunciei à função de diretor de secretaria e passei a estar mais presente no dia a dia. Sem dúvida, hoje sou um outro Antônio, mais humano e solidário. Ela vem melhorando a cada dia, evoluindo na escola. A gente tem esse cuidado de oferecer as condições de vida para que ela cresça e se desenvolva de uma forma saudável. Quando passamos a ser pais, achamos que não vamos dar conta, mas, na realidade, a vida da Mariana e da Isis, pra mim, vieram como bênçãos, proteção e graças de Deus, mesmo”, relata.

Histórias como essas e de tantos outros pais e filhos se entrelaçam silenciosamente todos os dias nos corredores do TJCE em todo o Estado, mostrando que a Justiça, muito além de processos e sentenças, é também feita de pessoas com passados e presentes que, pouco a pouco, esboçam os traços que desenharão o futuro.

Foto colorida, inserida como um post it, em um fundo amarelo bem claro, com um coração azul maior no lado esquerdo e pequenos corações amarelos escuros no canto inferior direito. Nela, um homem jovem sentado com uma menina no colo.
Quando sua filha Ísis foi diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista, Antônio Raimundo do Nascimento, reconheceu-se, antes de qualquer outra função, como sendo prioritariamente pai.

 

*  Na Defensoria Pública do Estado, procure os Núcleos de Atendimento e Petição Inicial (NAPI) clicando AQUI .

* Acesse AQUI o formulário QUERO CONCILAR, do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) do TJCE.  

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