Lançamento de nova plataforma de IA do TJCE e integração interinstitucional marcam início da 3ª edição do Convergência
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- 19-06-2026
Com o tema “A Nova Engenharia da Justiça: Inteligência Artificial, Robotização e Justiça 5.0”, a 3ª edição do Convergência destacou, na manhã desta sexta-feira (19/06), os avanços do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) na área de inovação, com o lançamento da plataforma de Inteligência Artificial Auri e debates sobre a transformação digital no Judiciário. O evento reúne profissionais do Poder Judiciário e representantes de instituições parceiras para discutir os impactos da transformação digital no sistema de Justiça.
A programação, que ocorre na Escola Superior da Magistratura (Esmec), foi aberta pelo vice-presidente do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), desembargador Francisco Mauro Ferreira Liberato, no exercício da Presidência. Ele falou sobre a importância da inovação tecnológica para o fortalecimento da prestação jurisdicional, com uso responsável da Inteligência Artificial e foco na eficiência, transparência e melhoria contínua dos serviços à sociedade.
“Hoje é um dia de diálogo, de cooperação, de troca de ideias, de conhecimentos. E isso, sem dúvida, engrandece o nosso Tribunal de Justiça do Ceará e todos aqueles que estão aqui presentes, para que, no fim, todos nós possamos convergir para o que mais interessa no nosso papel de julgador, que é prestar uma jurisdição de excelência e segura”, afirmou.
LANÇAMENTO PLATAFORMA AURI
Logo em seguida, foi lançada a ferramenta de Inteligência Artificial (IA) Auri, desenvolvida para reunir, em um único ambiente, soluções que apoiam o trabalho jurídico e administrativo, com integração entre sistemas, login único e gestão centralizada. A plataforma centraliza ferramentas baseadas em IA, que antes operavam de forma isolada, organizadas em módulos interconectados, promovendo maior segurança, governança e padronização de acesso.
A apresentação foi conduzida pelo coordenador do Comitê de Gestão da Inovação do TJCE, desembargador José Tarcílio Souza da Silva, e pela cogestora dos projetos de IA e Robotização do TJCE, juíza Ana Carolina Montenegro Cavalcanti.
Durante a apresentação, o desembargador destacou a relevância das novas tecnologias desenvolvidas pelo TJCE. “As novas ferramentas são fundamentais para aprimorar o desempenho da atividade judicial, contribuindo para superar desafios como a gestão do acervo, o tempo de tramitação processual e a atual carga de trabalho.”

Ao exibir o Ambiente Unificado de Inteligência Artificial (Auri), a cogestora dos projetos de IA e Robotização do TJCE, juíza Ana Carolina Montenegro Cavalcanti, ressaltou o cuidado do Tribunal em avançar na inovação sem perder suas referências históricas. De acordo com ela, o próprio nome da plataforma reflete esse compromisso. “Já avançamos muito em inovação, mas sem deixar de respeitar o nosso passado. A plataforma se chama Auri, e esse nome foi escolhido antes mesmo de sabermos exatamente o significado, pois queríamos fazer uma homenagem à primeira juíza do Ceará e do Brasil”, explicou.
A Auri já conta com módulos como o PromptHub, banco de prompts institucional; o Sara, Sistema de aAnálise e Resumo de Ações; a Gestão de Acervo, voltada a buscas inteligentes; além de soluções para cálculo de prescrição e apoio à identificação de precedentes. A estrutura modular permite a expansão contínua da plataforma, com a incorporação de novas funcionalidades de forma progressiva e organizada.
Ela ainda citou funcionalidades como o Agente Auri, chat inteligente integrado à plataforma que permite a interação em linguagem natural para consultas, apoio na elaboração e análise de documentos, uso de peças processuais como contexto e acionamento de serviços institucionais. A ferramenta estará disponível aos integrantes do Judiciário a partir desta segunda-feira (22).
INTEGRAÇÃO E INOVAÇÃO
A programação seguiu com a mesa de debates “Conecta: a importância da rede de compartilhamento institucional”, com a participação do juiz auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Henrique Dada Paiva, e do juiz do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), Jeremias de Cássio Carneiro de Melo.
Desenvolvido no âmbito do Justiça 4.0, o Conecta é um programa do CNJ dedicado a identificar soluções tecnológicas locais e compartilhá-las em uma rede de inovação com a participação dos mais de 90 tribunais brasileiros.
Para o juiz do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) e colaborador do Conecta, Jeremias de Cássio Carneiro de Melo, o TJCE vem se destacando por meio da governança digital, que impulsiona soluções inovadoras como a Automação Robótica de Processos (RPA) para dar agilidade a demandas repetitivas, além das ferramentas de IA.
“É exatamente essa a preocupação maior hoje do Conselho Nacional de Justiça porque não é inovar por inovar, não é uma corrida de cada tribunal para saber quem descobre a melhor ferramenta de Inteligência Artificial, quem faz a melhor robotização, mas a inovação responsável e segura”, salientou ao se referir às iniciativas inovadoras do TJCE.
O juiz auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Henrique Dada Paiva, enfatizou a relevância da atuação em rede para o avanço da inovação no Judiciário. “A ideia do Conecta é que a gente dê mais protagonismo aos nossos tribunais, não só aos desenvolvedores das soluções, mas a quem deve receber o crédito pelas boas iniciativas que patrocinam.”

O debate foi mediado pelo desembargador Mantovanni Colares Cavalcante, que ressaltou o protagonismo do TJCE na incorporação de soluções inovadoras. “A automação que o TJCE vem implementando já é resultado dessa convergência entre transformação digital, ciência de dados, Inteligência Artificial e modelos de governança”, disse ao apresentar o conjunto de ferramentas disponibilizadas pelo TJCE.
JUSTIÇA 5.0 E IMPACTO SOCIAL
Ainda pela manhã, o público acompanhou a palestra “Menos ideias, mais resultados: Experimentação, evidências e inovação da construção da Justiça 5.0”. A supervisora do Laboratório de Inovação (LabLuz) do TJCE, juíza Danielle Estevam Albuquerque, e o coordenador do LabLuz, Welkey Costa, conduziram a discussão.
Durante o painel, magistrada chamou atenção do público para refletir sobre o verdadeiro significado da Justiça 5.0, destacando que o conceito vai além da simples adoção de novas tecnologias. “A Justiça 5.0 trata apenas de uma nova tecnologia que vamos adotar ou trata do impacto e da mudança na vida das pessoas?”, questionou.
A magistrada disse que a inovação no Judiciário não deve se restringir ao uso de ferramentas digitais, mas precisa estar conectada à transformação concreta da realidade, com melhorias efetivas na rotina de trabalho e, principalmente, na prestação jurisdicional oferecida à sociedade.
O evento é uma iniciativa da Secretaria Negocial do PJe e do Programa de Modernização do Poder Judiciário cearense (Promojud) e segue ao longo do dia com palestras e apresentações de boas práticas voltadas à inovação, ao uso de Inteligência Artificial e ao aprimoramento da prestação jurisdicional.




