Oficina de Valorização 60+ no Fórum Clóvis Beviláqua promove reflexões sobre envelhecimento, escolhas e novos começos
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- 01-10-2026
Ver a mãe sorrir, participar de atividades e reencontrar o convívio com outras pessoas foi o que motivou a servidora da Justiça Federal Márcia Neves, de 56 anos, a levá-la à Oficina Comemorativa de Valorização 60+, realizada nesta quinta-feira (1º/10), no Fórum Clóvis Beviláqua (FCB). Aos 83 anos, Maria Leides aprovou a experiência. “Só o fato de eu sair de casa com minha filha já significa muita coisa. O tema da velhice precisava mesmo ser abordado. Eu estou vivendo essa fase e preciso acompanhar esses ensinamentos para o futuro. Isso me ajuda a seguir em frente”, declarou.
Para Márcia, que ficou sabendo da iniciativa pelas redes sociais, o momento representa uma oportunidade de estimular a participação ativa da mãe em novas experiências. “A família procura mantê-la ativa e acredito que estar em um ambiente como esse ajuda a mostrar que ela ainda tem muitas potencialidades. Ela adorou participar das atividades, conversar com outras pessoas e viver experiências diferentes. É importante tirar o idoso do isolamento e trazê-lo para o movimento”, destacou.
A fala traduz o propósito da “Oficina Comemorativa de Valorização 60+: Roda da Vida – transformações, escolhas e novos começos”, promovida pelo Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), por meio do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) de Fortaleza. Realizado no Dia da Pessoa Idosa, o projeto celebrou o seu primeiro ano e reforçou a importância de criar espaços de escuta, acolhimento e valorização da pessoa idosa.
Na abertura do evento, a coordenadora do Cejusc Fortaleza, juíza Suyanne Macêdo de Lucena, convidou as(os) participantes a refletirem sobre a forma como a sociedade enxerga o envelhecimento. “Durante muito tempo, a sociedade associou essa fase da vida às perdas. Mas envelhecer significa muito mais do que isso. Significa continuar vivendo, acumular experiências, afetos e histórias. Significa passar por transformações, fazer escolhas e descobrir que, independentemente da fase que estejamos vivendo, sempre há a possibilidade de um novo começo.”

O coordenador adjunto do Cejusc Fortaleza, juiz Edson Feitosa dos Santos Filho, também citou a relevância da ação para a promoção da cidadania e da inclusão. “O Cejusc é o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania. Às vezes, quando falamos sobre a unidade, essa parte da cidadania não aparece tanto. Essas oficinas pertencem justamente a esse pilar, o pilar cidadania. Daí a importância de momentos como este e da discussão acerca do envelhecimento.”
“EnvelheSer” e “PertenSer”
Idealizadora e facilitadora da oficina, a psicóloga Mônica Sant’Ana Mantini informou que a atividade foi criada a partir da necessidade de ampliar o debate sobre o envelhecimento e os direitos da pessoa idosa. Inspirada na experiência das Oficinas de Parentalidade do Cejusc Fortaleza, o trabalho busca promover reflexões sobre autonomia, convivência familiar, corresponsabilidade nos cuidados e valorização da pessoa idosa.
“A missão central é valorizar a pessoa idosa, não apenas pela idade, mas pelo papel que ela ocupa na vida coletiva. Quando pensamos a oficina, unimos duas ideias: ‘envelheSer’ e ‘pertenSer’. Afinal, uma das necessidades humanas é sentir-se parte de um grupo. Por isso, toda a iniciativa foi construída com esse propósito: envelhecer pertencendo”, explicou, ao enfatizar a importância de envelhecer sem perder a identidade, os laços sociais e o protagonismo na própria vida, sendo ainda um sujeito, um ‘ser’.
Criada em 2 de outubro de 2025, a Oficina de Valorização 60+ completou um ano de atividades. Nesse período, abordou temas como curatela e ações avoengas, fortalecendo vínculos familiares e contribuindo para a prevenção de conflitos. A equipe também estuda ampliar a iniciativa para novas temáticas relacionadas ao envelhecimento.

Outro destaque apresentado durante o encontro foi o reconhecimento nacional do projeto, que recebeu menção honrosa no Prêmio Tribunal de Justiça Militar de São Paulo com o trabalho “Oficina de Valorização 60+: prática educativa do Judiciário para promoção da dignidade e prevenção de conflitos familiares envolvendo pessoas idosas”.
ATIVIDADES DE AUTOCONHECIMENTO
Ao longo da tarde, a programação conduzida pelos facilitadores Joel Alves da Silva, Matheus Brito Borges e Alice Gonçalves Frota e Silva promoveu atividades de autoconhecimento, partilha de experiências e reflexão sobre passado, presente e futuro. As dinâmicas incentivaram as(os) participantes a valorizar suas trajetórias, reconhecer conquistas e enxergar novas possibilidades para os próximos anos. A atividade foi realizada com o apoio da Seção de Capacitação (Secap).
Entre as(os) participantes também estava a servidora Tereza Maria, de 68 anos, que falou da importância de espaços voltados à valorização da pessoa idosa e à preparação para os desafios do envelhecimento. “É uma satisfação, como servidora do Tribunal de Justiça, participar deste momento, em que estamos voltando o olhar para o público 60+, uma realidade cada vez mais presente na nossa sociedade. A população está vivendo mais, e isso é muito gratificante. Essas oficinas contribuem para que possamos nos preparar melhor para essa etapa da vida e enfrentar com mais consciência os desafios e as oportunidades que vêm com o avanço da idade”, frisou.
Já a conciliadora Marta Palácio, de 60 anos, ressaltou que a oficina amplia o debate sobre os desafios e os direitos da pessoa idosa. “É um tema que nos leva a uma reflexão importante, tanto para as pessoas que estão nessa faixa etária quanto para seus familiares. Precisamos pensar em questões relacionadas à saúde, aos direitos e à autonomia da pessoa idosa. É uma fase da vida pela qual todos nós iremos passar. Além disso, a iniciativa é importante para nós, conciliadores, que estamos lidando cada vez mais com esse público durante as audiências”, afirmou.
A oficina reuniu servidoras e servidores do Judiciário cearense, pessoas idosas, familiares, conciliadoras(es) e representantes da comunidade em uma tarde dedicada ao compartilhamento de vivências e à reflexão sobre os desafios e as potencialidades do envelhecimento.



