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Foto panorâmica do evento, com várias pessoas sentadas na plateia e, à frente delas, pessoas sentadas no palco e um pessoa falando ao microfone no púlpito

Agentes de microcrédito do Banco do Nordeste recebem capacitação sobre violência doméstica e familiar

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Para ampliar o enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher, o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, realizou nesta quarta-feira (12/08), em parceria com o Fórum Nacional de Juízas e Juízes de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Fonavid) e o Banco do Nordeste (BNB), a capacitação “Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher” voltada para agentes de microcrédito da instituição financeira.

Durante a abertura do evento, que ocorreu no Sede do Banco do Nordeste, em Fortaleza, a presidente da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do TJCE, desembargadora Vanja Fontenele Pontes, destacou o caráter preventivo da ação e a importância de preparar profissionais que mantêm contato direto com a população para identificar sinais de violência e orientar vítimas sobre os caminhos de proteção.

“Vocês terão a oportunidade de encontrar situações com as quais devem se preocupar e tomar providências. E é isso que vocês vão aprender hoje. […] Os resultados desse momento aqui alcançarão muitos outros espaços em muito mais tempo, porque o objetivo dele é pedagógico, é a educação, é a prevenção, para que nós possamos, de fato, legar às próximas gerações homens e mulheres mais unidos e em paz”, afirmou.

O presidente do Banco do Nordeste, Paulo Câmara, lembrou que a violência contra a mulher também representa um obstáculo ao desenvolvimento social e econômico e citou a contribuição dos agentes de microcrédito para a ampliação da rede de proteção às mulheres.

“Eles (agentes) não chegam apenas com crédito. Chegam com sua presença, com confiança e com esperança. Essa proximidade é um dos maiores patrimônios da nossa instituição e traz responsabilidade. Não para substituir o papel das autoridades ou dos serviços especializados, mas para ampliar a informação, fortalecer a escuta qualificada e contribuir para que muitas mulheres conheçam os caminhos de proteção disponíveis. É por isso que essa capacitação é tão importante”, enfatizou.

Para o vice-presidente do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), desembargador Francisco Mauro Ferreira Liberato, a atuação integrada entre diferentes instituições no combate à violência doméstica e familiar contra a mulher amplia o alcance social das ações.

“O sistema de Justiça, sozinho, não resolve várias situações e, sobretudo, essa gravíssima que é a violência doméstica e familiar contra a mulher. Precisamos de parcerias, de auxílio de outros órgãos públicos e privados. Essa parceria com o Banco do Nordeste demonstra exatamente isso. Sozinhos não vamos conseguir debelar esse problema. Temos que fazer que cidadão e cidadã nos ajudem nesta empreitada, que é difícil, mas nós vamos vencer”, frisou.

 

Foto de uma filha de homens e mulheres em destaque, posando para foto no palco em pé, e atrés deles, um grande número de pessoas no auditório também em pé
Representantes do TJCE, do Fonavid e do BNB unem forças para o enfrentamento à violência contra a mulher” por meio da capacitiação de agentes de microcrédito 

 

Também compuseram a mesa de abertura a vice-presidente da Associação Cearense de Magistrados (ACM), juíza Helga Medved; a diretora de Administração do BNB, Ana Teresa Barbosa de Carvalho; o diretor de Planejamento do BNB, José Aldemir Freire; e o diretor de Controle e Risco, Leonardo Victor Dantas da Cruz.

 

AGENTES COMO REDE DE PROTEÇÃO

 

Em seguida, a presidente do Fórum Nacional de Juízas e Juízes de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Fonavid), juíza Camila Guerin, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), apresentou um panorama da violência contra a mulher e ressaltou a relevância do envolvimento de toda a sociedade para reverter uma estrutura histórica marcada pelo machismo e por relações desiguais de poder entre homens e mulheres.

“Gosto de ver que tenha muito homem aqui, porque falamos muito para mulher. Normalmente, os nossos eventos são cheios de mulheres. E nós precisamos dos homens para reverter essa situação. É muito interessante que vocês estejam aqui hoje, porque todas as pessoas presentes têm a ver com isso. Todos nós somos parte do que chamamos de rede de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher e cada um tem potencial de transformação.”

Já a juíza Luciana Lopes Rocha, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), apresentou aspectos da Lei Maria da Penha, os tipos de violência previstos na legislação e os principais fatores de risco para o feminicídio. “O que a Lei Maria da Penha quer é que a mulher esteja transitoriamente nessa situação de violência. Por isso ela fala em mulher em situação de violência, para sair dessa situação e viver uma vida livre de qualquer forma de violência. Por isso precisamos repensar as políticas de enfrentamento, com foco na educação e numa rede integrada de prevenção e proteção.”

Na ocasião, também foi lançada a cartilha “Violência Doméstica contra a Mulher”, elaborada por meio da parceria entre as instituições organizadoras do evento. A publicação foi desenvolvida como material de apoio para as(os) agentes de microcrédito e reúne informações sobre a Lei Maria da Penha, os diferentes tipos de violência contra a mulher, fatores de risco para feminicídio, ciclo da violência, canais de denúncia e serviços da rede de proteção.

 

Foto de um rapaz em pé, vestido de blusa na cor vermelha, dando entrevista
O agente de microcrédito Diego Leone diz que o contato próximo com os clientes favorece a identificação de sinais de violência e possibilita uma atuação mais humanizada

 

Encerrando a programação, a juíza titular do Juizado da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca de Caucaia, Deborah Salomão Guarines, enfatizou o papel das(os) agentes de microcrédito como integrantes da rede de proteção às mulheres.

“O que queremos causar é esse sentimento de proteção à vítima. Quando você, que é agente de microcrédito, chega à casa de uma mulher e percebe que ela precisa de ajuda, às vezes o que ela precisa é de informação. Por isso a cartilha e essa capacitação são tão importantes. A rede de proteção é composta por todos nós. Não existe alguém mais importante ou menos importante nessa rede. É o professor, o policial, o médico, a enfermeira, o agente de crédito, o vizinho, o síndico. Todos nós moramos na mesma sociedade e todos temos responsabilidade na prevenção da violência doméstica”, declarou.

 

OLHAR ATENTO PARA IDENTIFICAR SINAIS DE VIOLÊNCIA

 

A capacitação reuniu agentes de microcrédito dos programas Crediamigo e Agroamigo, do Banco do Nordeste, que atuam diretamente junto a microempreendedores urbanos, agricultores familiares e pequenos produtores rurais. Entre as(os) participantes, o agente de microcrédito do Crediamigo, Diego Leone, disse que o contato próximo com os clientes favorece a identificação de sinais de violência e possibilita uma atuação mais humanizada.

“Como temos acesso aos clientes e participa da vida deles, essa capacitação vai agregar muito para que possamos perceber, entender e ajudar os nossos clientes em várias situações. Principalmente aquela cliente que não está conseguindo falar sobre o que está passando, mas que demonstra isso durante as visitas que fazemos. Vamos entender melhor essas situações que estão acontecendo na nossa sociedade para que possamos contribuir para fazer a diferença na vida delas.”

 

Foto de uma mulher em destaque, sentada, ladeada por dois homens também sentados. Todos estão vestidos de com blusas verdes
“Diariamente temos relatos de mulheres que sofrem violência psicológica, financeira e doméstica, mas muitas vezes elas ainda não têm coragem de buscar ajuda”, afirma Jania Santos

 

A agente de microcrédito do Agroamigo, Jania Santos, que atua na região de Maranguape, falou sobre a importância da capacitação para identificar situações de violência que muitas vezes surgem durante as visitas realizadas às comunidades. “Diariamente temos relatos de mulheres que sofrem violência psicológica, financeira e doméstica, mas muitas vezes elas ainda não têm coragem de buscar ajuda. Com essa cartilha e uma atuação mais ativa, vamos poder orientar melhor e contribuir para que essas mulheres encontrem apoio antes que a situação se agrave”, pontuou.

 

SAIBA MAIS

 

A iniciativa integra as ações preparatórias para o XVIII Fonavi, que ocorrerá de 9 a 13 de novembro de 2026, em Fortaleza, e reforça o compromisso das instituições parceiras com a Lei Maria da Penha, a prevenção da violência de gênero e o fortalecimento das políticas públicas voltadas à proteção e à garantia dos direitos das mulheres.

O intuito é garantir a efetividade nacional da Lei 11.340/2006, promovendo ações que resultem na prevenção e no combate eficaz à violência doméstica e familiar contra a mulher, por meio do aperfeiçoamento e da troca de experiências entre os(as) magistrados(as) que o compõem, e integrantes das equipes multidisciplinares, para participação ativa junto aos órgãos responsáveis pelas políticas públicas que dizem respeito à matéria.

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