Projeto do Judiciário estimula leitura e formação de senso crítico em escola da Comarca de Jardim
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- 02-06-2026
A leitura tem aproximado o Judiciário de estudantes de uma escola pública na Comarca de Jardim, na Região do Cariri. O objetivo do projeto “Dialética: entre linhas e vidas” é estimular o hábito de ler e a formação do senso crítico de adolescentes. A Escola de Educação em Tempo Integral Dr. Romão Sampaio foi a escolhida para a realização dos encontros, que tiveram início no último dia 28 de maio, com a participação de 30 estudantes. Alunas e alunos do 9º ano tiveram a oportunidade de compartilhar suas experiências literárias, musicais e culturais. Também receberam a primeira obra a ser estudada: “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell.
“A ideia é o estímulo à descoberta, à exploração do mundo em suas múltiplas camadas e à formação de senso crítico, utilizando o livro como uma das ferramentas para tanto e pensando na formação dos adultos de amanhã. Isso não só é importante como é urgente. E quando a pretensão é uma sociedade melhor, o Judiciário, como parte dela, e como agente responsável por dirimir conflitos, é sempre um beneficiado direto. Sabemos que o desafio é grande, mas a caminhada é possível e a transformação, ainda que seja modesta, já vale o esforço”, ressaltou o juiz Luiz Phelipe Fernandes de Freitas Morais, titular da Vara Única da Comarca de Jardim, idealizador do projeto.
O magistrado contou que a leitura transformou sua trajetória de vida e, por essa razão, sempre teve interesse em contribuir com a sociedade por esse caminho. No ano passado, após colaborar com um trabalho semelhante, na Comarca do Crato, extraiu ideias para o projeto “Dialética”, que teve adesão da Secretaria Municipal de Educação de Jardim.
“O início superou as expectativas. Primeiro, pelo número de adeptos. Como a participação é integralmente facultativa e a escolha dos membros não tem ingerência minha tampouco da escola, contávamos com poucos adolescentes. Mas o resultado foi o oposto. Tanto que precisei abrir uma segunda turma que não estava prevista. Além disso, os estudantes romperam com estereótipos atrelados, com frequência, à escola pública, expondo que possuem repertório intelectual e até bagagem de leituras variadas a partir de interesses espontâneos”, comemorou o juiz.
“O projeto é de suma importância para o desenvolvimento do senso crítico dos alunos, pois nesta era digital o hábito da leitura está sendo substituído por telas. Com este incentivo, o livro deixa de ser um objeto decorativo e passar a ter um significado na formação cidadã destes jovens”, avaliou a coordenadora da escola, professora Ângela Patrícia Leite.
Yasmim Soares está entre as alunas que participam do projeto. A adolescente contou que essa nova forma de interagir com colegas tem sido muito positiva. “Eu, particularmente, gosto muito de participar desse projeto, pois gosto muito de leitura. Também quem está participando gosta bastante. É muito importante a gente conversar sobre os livros. Criamos ali uma amizade, e isso é muito bom. Incentiva tanto a leitura, como a participar e conversar”, afirmou.
Os próximos encontros do “Dialética: entre linhas e vidas” ocorrerão ainda em junho, quando haverá o debate sobre o livro “A Revolução dos Bichos” e será entregue uma nova obra para análise.
SAIBA MAIS
O nome do projeto surgiu do interesse do juiz Luiz Phelipe por Filosofia, já que a dialética é um método filosófico de investigação e compreensão da realidade baseado no choque a na contradição de ideias. O intuito foi justamente estimular reflexões entre as alunas e os alunos para a formação do senso crítico. O subtítulo remete às linhas das páginas dos livros que, quando lidos e refletidos, podem transformar vidas.



