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Foto de um homem e duas mulheres sentadas em uma bancada, e à frente delas, várias pessoas na plateia.

Projeto Escute o Silêncio: TJCE promove palestra sobre proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital

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O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) realizou, nessa quarta-feira (29/04), a palestra educativa “Crianças, adolescentes e Ambiente Digital: uma conversa sobre tecnologias e vínculos”, como uma ação de continuidade às ações do projeto Escute o Silêncio.  

O encontro ocorreu no auditório da Corregedoria-Geral da Justiça e foi voltado ao público interno, reunindo magistradas(os), servidoras(es), terceirizadas(os) e estagiárias(os) integrantes do Judiciário cearense. 

A iniciativa teve como foco o fortalecimento da atenção e proteção de crianças e adolescentes nos espaços virtuais, promovendo um momento de reflexão sobre o uso das tecnologias, os riscos envolvidos e a importância da supervisão e mediação, bem como o trabalho conjunto entre instituições e famílias. 

A abertura do evento foi conduzida pela desembargadora Andréa Mendes Bezerra Delfino, ouvidora do Poder Judiciário e coordenadora do Órgão Central de Macrogestão e de Justiça Restaurativa, que destacou o cenário atual e os perigos do ambiente virtual. “Não é nenhum segredo que nossas crianças e adolescentes estão cada vez mais expostos a ambientes virtuais viciantes, doentios e violentos. Essas situações se agravam por uma série de fatores, mas é potencializada por um verdadeiro abandono digital. O Projeto Escute o Silêncio foi concebido, portanto, como uma resposta a esse cenário preocupante, o que evidencia que nossas crianças e adolescentes estão sendo vítimas de verdadeiro abandono digital, que nos traz uma preocupação como instituição”, ressaltou a desembargadora. 

O vice-presidente do TJCE, desembargador Mauro Liberato, salientou a importância da atuação conjunta entre instituições. “O Poder Judiciário, em alguns momentos, não resolve sozinho os problemas da nossa sociedade. Há a necessidade de que o Poder Judiciário se associe a outros órgãos, à sociedade civil para que a nossa função primordial, que é realizar a prestação jurisdicional, seja feita. O TJCE, por meio do Projeto Escute o Silêncio, trouxe para o Judiciário esse tema tão importante, que é a busca pelo acesso seguro de crianças e adolescentes no ambiente virtual, para, assim, tentarmos minimizar esse problema grave que aflige a sociedade”, frisou.  

O encontro contou com palestra ministrada por Brenda Guedes, doutora em Comunicação, pesquisadora e integrante da equipe de coordenação do Laboratório de Pesquisa da relação Infância, Juventude e Mídia (LabGRIM/UFC), além de cofundadora da Rede de Pesquisas em Comunicação, Infâncias e Adolescências (Recria) e consultora da Unesco. 

 

Imagem de várias mulheres e homens, posando em pé para foto, sorrindo em um grande auditório
A palestra reuniu magistradas(os), servidoras(es), terceirizadas(os) e estagiárias(os) da Justiça

 

Durante a exposição, Brenda chamou a atenção para o modelo de sociedade que vem sendo reproduzido para crianças e adolescentes. “Na nossa sociedade adulta, a gente tem conexão nos momentos de lazer, para se deslocar, para pesquisar, para estudar. Essa é a sociedade que a gente está mostrando que existe para as nossas crianças e adolescentes.” 

A pesquisadora também lembrou que o comportamento dos adultos influencia diretamente na forma como crianças e adolescentes se relacionam com a tecnologia. Segundo ela, é necessário repensar práticas e exemplos, promover uma relação menos hierarquizada e mais consciente, baseada no diálogo e na corresponsabilidade. 

A palestrante enfatizou a importância da educação digital e midiática, defendendo que o uso das tecnologias deve ser intencional e orientado. Embora existam mecanismos como controle parental, esses recursos nem sempre são suficientes, especialmente diante da desigualdade no acesso ao letramento digital. Ela reforçou ainda que a proteção de crianças e adolescentes é uma responsabilidade compartilhada entre família, Estado, sociedade civil e de empresas de tecnologia.  

Participante do evento, Roberta Holanda, oficial de gabinete, realçou o caráter prático e formativo do encontro. “Sou mãe e eu tenho uma criança de 11 anos em casa, que tem acesso à internet, rede social e jogos. A palestra foi enriquecedora, um momento de muito aprendizado. O ensinamento que absorvi foi de que a gente precisa ser parceiro dentro de casa. Tive a oportunidade de conhecer um pouco mais dessas questões tão relevantes e vi que o Projeto Escute o Silêncio veio para agregar família, escola e o Poder Judiciário nesse tema importante”, pontuou.  

 

ESCUTE O SILÊNCIO

 

O projeto Escute o Silêncio é uma iniciativa da Ouvidoria do Poder Judiciário, do Órgão de Macrogestão da Justiça Restaurativa do TJCE, com apoio da Assessoria de Comunicação, voltada à proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual. A proposta é promover ações integradas entre o Judiciário, as famílias, a rede de proteção e instituições de ensino, com o objetivo de romper o silêncio e garantir que nenhuma criança ou adolescente permaneça invisível em contextos de vulnerabilidade. 

A iniciativa está estruturada em dois eixos estratégicos: Ouvidoria e Justiça Restaurativa. O primeiro contempla o acolhimento, a realização de palestras educativas e a disponibilização de um canal direto, seguro e acessível para denúncias de violência e negligência infantojuvenil. 

O segundo eixo prevê a implementação de práticas restaurativas no ambiente escolar, como círculos de diálogo e oficinas artísticas, utilizando linguagens como teatro, música e artes visuais para estimular a expressão de sentimentos, fortalecer vínculos e promover a cultura de paz. 

O projeto também inclui uma campanha educativa desenvolvida pela Assessoria de Comunicação, com materiais voltados ao uso responsável da tecnologia por crianças e adolescentes, de modo impresso e digital, além de orientações direcionadas a pais, mães e responsáveis. 

Acesse o Protocolo “Escute o Silêncio” clicando AQUI
Confira a Cartilha sobre uso de telas, mediação familiar e sinais de alerta.

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