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Parceria entre TJCE e UFC promove 27 casamentos em cerimônia cheia de emoção e afeto: ‘realização de um sonho’

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Após décadas testemunhando o entusiasmo de estudantes dando novos passos na vida profissional, a Reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC) foi palco para outra seara de emoções entre o fim da tarde e a noite da última quarta-feira (23/08). Pela primeira vez, o local sediou um casamento comunitário, selando juridicamente a união de 27 casais em uma parceria com objetivo inédito entre a universidade e o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE).

A empregada doméstica Ana Paula de Oliveira e o motorista José Humberto Lima viram na iniciativa a oportunidade de oficializar, perante a Justiça, aquilo que o sentimento já atestou faz tempo: eles querem cuidar um do outro pelo resto da vida. E, em um ato de cuidado, revela Ana Paula, José Humberto considerou que a formalização seria o melhor a se fazer, pois assim ela “não ficaria desamparada” caso algo aconteça com ele. “Ele ficou preocupado e pensamos que isso seria uma segurança para mim”, diz a esposa.

O supervisor do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec), desembargador Francisco Lucídio Queiroz Júnior, reforçou que o casamento civil garante direitos e representa, portanto, um ato de cuidado entre as partes. “A formalização da união garante uma série de direitos que decorrem do casamento civil, inclusive em uma situação em que infelizmente um dos cônjuges fica viúvo. Com a certidão de casamento, não será preciso comprovar, por exemplo, que aquele parceiro convivia com a pessoa falecida”, destacou.

Em parceria inédita, TJCE e UFC promoveram casamento comunitário que oficializou a união de 27 casais na Reitoria da universidade.

O casamento coletivo realizado na Reitoria da UFC foi uma iniciativa nascida a partir dos projetos de extensão universitária Dialogar e Cuidado Itinerante, ambos ligados ao Núcleo de Práticas Jurídicas da universidade e capitaneados pelas docentes Nélida Cervantes e Márcia Correia Chagas. Os 27 casais foram reunidos em uma sala preparada especialmente para a ocasião, onde a juíza coordenadora do Nupemec, Jovina d’Avila Bordoni, conduziu cada formalização. A iniciativa contou ainda com a parceria dos cartórios de Messejana, Botelho, João de Deus, Jereissati e Norões Milfont.

A juíza destacou a experiência como emocionante e gratificante. “A felicidade e a emoção dessas pessoas fez muito bem a todos nós que estamos aqui. Foi um momento de energia muito positiva e essa iniciativa é algo que nós vamos trazer para a rotina das nossas ações dentro do Nupemec, afinal o casamento civil é fundamental para resguardar a família dentro de toda a sociedade”, frisou.

SERENIDADE, MATURIDADE E LONGEVIDADE

O autônomo Valmir Custódio da Silva e a dona de casa Maria Suely Oliveira se conhecem há 27 anos e estão juntos há 26. Diante da tradicional pergunta da juíza sobre ser de livre e espontânea vontade o casamento, ele foi enfático: “Sim! Já são 26 anos juntos. É uma vida!”, exclamou. Para um casamento longevo, eles afirmam que o diálogo é melhor estratégia. “Conheça bem o parceiro ou parceira. Tudo no nosso relacionamento a gente conversa, ela me entende e eu entendo ela”, afirmou.

Sentados, aguardando calmamente serem chamados para assinar a documentação logo em seguida, a dona de casa Cláudia Lima e do aposentado Rogério Lima exalavam uma serenidade que contrastava com a euforia que as festas de casamento podem transmitir. Naquele momento, eles selavam, afinal, o que já tinham decidido há muito tempo: o desejo de seguir vivendo um amor tranquilo, que já atravessou muitos obstáculos e que se manteve, apesar deles.

A juíza Jovina d’Avila Bordoni, coordenadora do Nupemec, conduziu a formalização das uniões durante a cerimônia.

“Após 31 anos juntos e com duas filhas, uma delas já casada, resolvemos legitimar a nossa relação. Hoje, já maduros, sabemos o que queremos e graças a essa iniciativa do TJCE e da UFC eu consegui realizar esse sonho, porque nunca sobrava um dinheirinho”, revelou Cláudia. Questionado sobre qual seria o segredo para uma união tão longeva, Rogério, o esposo, não titubeia: “Ela sempre tem razão”, diz, com um sorriso tímido.

Além de ter como cenário a imponente arquitetura eclética e modernista da Reitoria e da celebração pela juíza, os casais que participaram do momento tiveram a oportunidade de ter como responsáveis pela trilha sonora a Camerata de Cordas da UFC, que entoou clássicos das festas de casamento para embalar a noite. Além disso, foram disponibilizadas mesas e cadeiras no jardim de frente para a Avenida da Universidade com decoração, jantar e champagne para o primeiro brinde dos recém-casados.

Para o reitor da UFC, professor Custódio Almeida, a iniciativa mostra que os projetos de pesquisa da universidade atuam em prol da sociedade de várias maneiras. “Essa parceria com o TJCE por meio dos projetos de extensão contribui para estabelecer a justiça, retira a barreira da burocracia e permite que casais, alguns juntos há anos, mas sem a união pelo casamento civil, possam concretizar isso. E o fato desse evento ser na Reitoria é simbólico e especial, reforçando que a universidade é um lugar aberto, plural e que nela cabe tudo aquilo que está em suas pesquisas e projetos de extensão”, destacou.