Maternidade e a cobrança de papéis femininos são tema de cine debate promovido pelo TJCE
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- 28-05-2026
Até que ponto os papéis socialmente atribuídos às mulheres moldam a forma como a maternidade é compreendida e vivenciada? Foi a partir desse convite à reflexão que o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) realizou, na tarde desta quarta-feira (27/05), no Espaço de Convivência do Fórum Clóvis Beviláqua (FCB), um cine debate voltado à discussão sobre maternidade e os padrões de comportamento que ainda recaem sobre o feminino.
Integrando a programação do Mês das Mães, a iniciativa foi realizada por meio do Comitê Gestor de Equidade de Gênero e da Assessoria de Comunicação (Ascom), reunindo servidoras e servidores do Judiciário estadual para a discussão das temáticas abordadas na minissérie All Her Fault (“Tudo Culpa Dela”).
“O Comitê tem o compromisso de suscitar discussões relevantes sobre temas que rodeiam a vida das mulheres. Por isso, este momento foi organizado com o propósito de evidenciar a importância do compartilhamento de responsabilidades, do apoio institucional e do cuidado com a saúde mental feminina, além de incentivar uma cultura organizacional mais acolhedora, inclusiva e consciente”, destacou a desembargadora Ângela Teresa Gondim, coordenadora do Comitê.
A atividade promoveu reflexões e diálogo entre as(os) participantes, destacando como a mídia e os padrões sociais contribuem para reforçar estereótipos e expectativas, muitas vezes idealizadas, relacionadas ao cuidado, à responsabilidade materna e às vivências femininas, aspectos explorados pela produção cinematográfica.
Como ponto de partida para a conversa, foi exibido o trailer da minissérie, que serviu de base para introduzir as discussões. Em formato de diálogo, a programação foi mediada por Débora Pinho Arruda, mestra em Saúde pública, analista judiciária (psicologia) e membra do Comitê Gestor de Equidade de Gênero do TJCE, e contou com a participação da jornalista Marina Solon Fernandes Torres Martins, doutora em Comunicação com linha de pesquisa em violência de gênero e atual coordenadora de Comunicação da Procuradoria-Geral do Estado do Ceará e de Ana Cesaltina Barbosa Marques, doutora em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e pesquisadora de processos sociais mediados por tecnologias da comunicação, com foco em redes sociais e questões de gênero.

Para Marina, a sobrecarga é um dos grandes desafios abordados na minissérie e reflete, de maneira fiel, situações do cotidiano. “Muitas vezes, essa sobrecarga acaba sendo naturalizada, como se fosse esperado que a mulher estivesse sempre cansada e lidando com múltiplas responsabilidades. Por isso, reconhecer e nomear essas vivências é um passo importante para compreender o que precisa ser transformado. Então, a principal mensagem deste momento é de atenção às demandas vivenciadas pelas mulheres, especialmente diante da excessiva carga que é pessoal, profissional e emocional”.
Durante o debate, Marina também destacou que essas questões não devem ser tratadas a partir de uma perspectiva que coloque homens e mulheres em lados opostos. “É preciso desconstruir as noções de feminilidade e masculinidade que foram socialmente impostas e entender que relações saudáveis acontecem no enfrentamento das assimetrias de gênero que, muitas vezes, estão na origem de situações de violência. Essa estrutura social de decisão e passividade precisa ser questionada.”
Ana Cesaltina Barbosa ressaltou que é importante pensar que essa é uma discussão relacionada à equidade de gênero e que não deve ser restrita às mulheres. Segundo ela, “é um tema social, que envolve dividir responsabilidades e pensar em formas de construir uma realidade diferente para as próximas gerações, independentemente de como são identificadas no momento do nascimento.”
Ana, que também é jornalista, chamou atenção ainda para o papel da mídia na construção de narrativas e para a necessidade de um olhar cuidadoso sobre essas questões. “O cenário midiático hoje é muito complexo e, diante da busca constante por atenção imediata, muitos limites acabam sendo atravessados. Por isso, é fundamental ter cuidado para evitar a revitimização e julgamentos apressados.”
Ao longo do encontro, também foram discutidos diferentes contextos e possibilidades de exercer a maternidade, além de temas como culpa, divisão desigual das responsabilidades de cuidado, dificuldades de conciliar diferentes áreas da vida e a supressão, muitas vezes silenciosa, de aspectos ligados à individualidade, à sexualidade e à trajetória profissional, pontos que também atravessam a narrativa da série.
SOBRE A MINISSÉRIE
Produção de suspense e drama lançada este ano, “All Her Fault” acompanha o desaparecimento de uma criança e os desdobramentos da investigação. Para além da trama de sequestro, a narrativa aborda, ao longo de oito episódios, temas contemporâneos como culpa materna, sobrecarga do cuidado, relações tóxicas, autocobrança e responsabilização feminina. A minissérie está disponível na plataforma Prime Video.



