Integrando Direito, Arte e Cultura, Esmec fortalece formação humanística e aproxima o Judiciário da sociedade
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- 03-06-2026
A formação de magistrados(as) e servidores(as) vai além do conhecimento técnico-jurídico. Na Escola Superior da Magistratura do Ceará (Esmec), Direito, Arte e Cultura caminham juntos como instrumentos de desenvolvimento humano, fortalecimento da cidadania e aproximação entre o Poder Judiciário e a sociedade.
Ao completar 40 anos em 2026, a instituição consolida uma trajetória marcada pela valorização da formação humanística, promovida por meio de cursos, palestras, eventos culturais e ações de extensão voltadas tanto ao público interno quanto à comunidade.
A diretora pedagógica da Esmec, Beatriz de Castro Rosa, ressalta que ampliar a formação para além do aspecto técnico permite aos profissionais desenvolverem uma atuação mais sensível, consciente e conectada à realidade social.
“Essa formação se concretiza por meio de cursos que abordam temas como ética, direitos humanos, diversidade, literatura e filosofia, além de eventos culturais, palestras e seminários interdisciplinares. Entendemos que a sensibilidade social e cultural é indispensável para a atuação judicial”, explica.
Para ela, esse processo impacta diretamente a prestação jurisdicional e contribui para fortalecer a confiança da população no Judiciário.
“Profissionais com formação humanística tendem a compreender melhor a complexidade das relações humanas, o que se reflete em decisões mais justas, equilibradas e contextualizadas. Além disso, essa formação contribui para fortalecer a confiança da sociedade no Poder Judiciário, uma vez que aproxima o magistrado das demandas reais da população. Trata-se de um impacto que ultrapassa o ambiente jurídico, promovendo cidadania, inclusão e respeito aos direitos fundamentais”, destaca.

Além da capacitação de magistrados(as) e servidores(as), a Esmec desenvolve iniciativas voltadas diretamente à comunidade, com projetos e eventos culturais abertos ao público.
“São iniciativas que dialogam diretamente com a sociedade, ampliando seu papel institucional. Entre elas, destacam-se projetos voltados à educação cidadã, eventos abertos ao público e ações culturais que promovem o acesso ao conhecimento e estimulam o pensamento crítico. Essas iniciativas reforçam o compromisso da Esmec com a transformação social e com a construção de uma Justiça mais acessível e inclusiva”, disse a diretora pedagógica.
Entre os projetos de destaque está o Esmec Artes, realizado há oito anos e voltado à valorização de diferentes expressões artísticas, como música, fotografia, literatura e dança.
“Essas experiências demonstram que o conhecimento jurídico, quando aliado à sensibilidade cultural e humana, tem um potencial transformador muito maior. Acompanhar essas ações reforça a convicção de que a Esmec cumpre um papel essencial não apenas na formação de profissionais do Direito, mas na construção de uma sociedade mais justa e consciente”, enfatiza Beatriz.
A servidora Maísa Cunha destaca o impacto da iniciativa em sua formação pessoal. Sobre a edição de 2026 do Esmec Artes, dedicada ao protagonismo feminino na Cultura, ela afirma: “Foi um momento muito agradável e leve, que proporcionou uma pausa sensível na rotina. A apresentação musical valorizou, com delicadeza, a força e a diversidade das mulheres. Um encontro que deixou uma lembrança muito positiva”.
A ARTE COMO MEIO DE INTEGRAÇÃO E FORMAÇÃO
A crença na arte como instrumento pedagógico está na origem do Esmec Artes, conforme relembra o juiz Ângelo Bianco Vettorazzi, titular do Juizado Especial Cível e Criminal da Comarca do Crato. Coordenador da Esmec durante o período de criação do projeto, ele destaca que a iniciativa contribuiu para tornar a vivência acadêmica ainda mais plural e enriquecedora.
“O Esmec Artes surgiu com o propósito de tornar o ambiente acadêmico mais lúdico, proporcionando a completude do ensino e a aprendizagem através de outras visões, destacando a centralidade da figura humana em suas mais diversas expressões, na busca de uma sociedade mais plural e cidadã”, frisa.

Na visão do magistrado, Direito e Arte dialogam diretamente com a experiência humana. “Enquanto o Direito regula as relações sociais, a arte ressignifica a compreensão do mundo e a cultura, como direito fundamental, contribui para o fortalecimento da cidadania”, pontua.
Antes mesmo da criação oficial do Esmec Artes, a Escola já promovia integração e convivência por meio da arte. Em 2006, magistrados(as) e servidores(as) já se reuniam às sextas-feiras para o “Happy Hour Esmec”. Realizados no jardim de entrada da Escola, os encontros contavam com apresentações musicais e momentos de confraternização.
“Eu diria que o Happy Hour foi um antecedente remoto do que depois acabou se firmando como o projeto Esmec Artes. A ideia partiu de termos uma escola não só como centro de formação profissional, quebrando essa imagem de que as pessoas iam apenas para buscar um conhecimento técnico. Se tornou um ponto de encontro, de integração e hoje vemos também o Esmec Artes atraindo os magistrados para uma perspectiva de formação mais ampla, prestando homenagens a grandes nomes da arte cearense”, detalha o juiz Marcelo Roseno, que atuou como coordenador da Escola no período.





