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Foto de duas mulheres no palco, uma delas está falando ao microfone. À frente delas, uma plateia em um grande auditório

Clube de Leitura Esperança Garcia abre programação de 2026 com reflexões sobre vivências femininas

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O Comitê Gestor de Equidade de Gênero do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) realizou, na tarde desta sexta-feira (12/06), o primeiro encontro de 2026 do Clube de Leitura Esperança Garcia. A atividade marcou a abertura do novo ciclo anual da iniciativa, que é voltada ao fortalecimento feminino por meio da literatura.

O momento, que ocorreu na Escola Superior da Magistratura do Ceará (Esmec), reuniu servidoras(es) e magistradas(os) para a partilha, a reflexão e o diálogo a partir da obra “Viver uma vida feminista”, da escritora Sara Ahmed, selecionada para abrir a programação.

A escolha do livro teve como objetivo ampliar as reflexões sobre o papel das mulheres na sociedade, relembrando o propósito de autoconhecimento e empoderamento feminino estimulado pelo grupo literário.

Para a desembargadora Ângela Teresa Gondim, coordenadora do Comitê, os momentos do clube promovem um crescimento não somente profissional mas pessoal. “Hoje, iniciamos o ciclo de 2026, que será repleto de interação, de troca de ideias, de letramento e de uma breve fuga da nossa realidade de trabalho e da nossa rotina, que às vezes nos distancia de quem nós somos e do que queremos, para nos fortalecermos.”

Além disso, o momento contou com a participação do conselheiro Fábio Francisco Esteves, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Durante a semana, o magistrado do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) participou de agenda institucional no Judiciário cearense e pôde conhecer mais de perto o trabalho desenvolvido pelo Comitê. O juíz destacou a relevância da articulação promovida pelo Clube de Leitura para o fortalecimento das ações e debates voltados à equidade de gênero.

“A construção de uma política de inclusão e igualdade de gênero passa por várias questões interdisciplinares e, quando temos um movimento como esse, de um clube de leitura, a gente tem uma simbologia sendo criada que fortalece muito essa política. É importante pontuar que nenhum tipo de governança inclusiva acontece sem uma pedagogia ou um aspecto que traga mais do que o cumprimento de regras, então essa iniciativa com certeza é o que inspira as pessoas, a instituição e a realização da equidade de gênero no TJCE”, destacou o magistrado.

A mediação do encontro foi realizada pela escritora e professora Paula Brandão, doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), que conduziu as participantes na análise da obra abordada e que estará responsável pela condução das demais ações de 2026.

 

Imagem de 18 pessoas posando para foto, sorrindo, em pé, no palco do auditório
As atividades do Clube de Leitura Esperança Garcia promovem crescimento profissional e pessoal

 

“Durante os encontros, entraremos em caminhos da literatura que nos darão artefatos para pensarmos as interseccionalidades de gênero, de raça e etnia, o regionalismo, o envelhecimento feminino e a maternidade. O Clube é uma articulação audaciosa, surpreendente e formada por protagonistas de uma cena nova no Judiciário”, pontuou.

Para dar início às discussões, a docente apresentou um panorama sobre a autora e alguns conceitos de ideais feministas. Entre os temas abordados, esteve a compreensão do feminismo como uma prática cotidiana de enfrentamento às opressões presentes nos ambientes sociais e institucionais.

O impacto do Clube também é fortemente percebido por quem compõe a iniciativa. Cristiane de Moura Ramos, que atua no setor de adoção do Juizado da Infância e da Juventude, ingressou no clube em 2025, e destacou as expectativas para o novo ciclo.

“Ano passado nós trabalhamos com ótimas autoras e este ano estaremos desenvolvendo ainda mais essa lista. São muitas escritoras feministas, que falam sobre o poder, as batalhas e conquistas das mulheres. Essa iniciativa é excepcional e vai me ajudar muito no meu trabalho pois, atuando diretamente com futuras mães e pais, levarei a eles um novo olhar sobre a sociedade”, contou a servidora.

Além disso, a programação contou com apresentação cultural da servidora Lucivânia Lima de Sousa, assessora da Unidade de Monitoramento e Fiscalização de decisões do Sistema Interamericano de Direitos Humanos (UMF/TJCE). Ela declamou o texto autoral “Somos imensas para as inconstâncias de uma vida tão abrupta”.

 

SOBRE A OBRA E A AUTORA

 

Com uma narrativa que combina teoria e autobiografia, a obra “Viver uma vida feminista” convida à construção de modos de existência mais éticos, solidários e conscientes, ao mesmo tempo que busca provocar questionamentos sobre as estruturas de poder e as desigualdades presentes no cotidiano.

 

Foto com pessoas sentadas, na plateia de um auditório, ouvindo a palestrante
Público atento às explicações da escritora Sara Ahmed“, que falou sobre o conteúdo do seu livro “Viver uma vida feminista” 

 

O livro é escrito por Sara Ahmed, escritora britânica-paquistanesa independente cujo trabalho tem foco nas análises sobre as emoções e afetos femininos nas diferentes esferas do cotidiano.

 

CLUBE DE LEITURA ESPERANÇA GARCIA

 

Criado em julho de 2023 pelo Programa de Fortalecimento de Lideranças Femininas do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), o Clube de Leitura Esperança Garcia tem o objetivo de compartilhar leituras e promover a discussão de temáticas de gênero e raça, tendo como base obras literárias de ficção e não-ficção.

Inicialmente, o Clube surgiu como uma iniciativa voltada integralmente às mulheres, mas, em 2025, ampliou a participação para pessoas de todos os gêneros. A iniciativa também está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), especialmente ao ODS de nº 5, que tem como finalidade “alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas”.

Ao longo do ciclo atual, os encontros irão reunir as(os) participantes uma vez ao mês, seguindo até março de 2027.

Agenda2030