Conteúdo da Notícia

Foto com várias pessoas sentadas e, ao final, uma mulher falando ao microfone. Ao lado dela, um homem sentado

TJCE discute desafios das mulheres na sociedade e celebra legado pioneiro da juíza Auri Moura Costa com lançamento de biografia

Ouvir: TJCE discute desafios das mulheres na sociedade e celebra legado pioneiro da juíza Auri Moura Costa com lançamento de biografia

Integrando a agenda especial do Mês da Mulher, o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) realizou, nesta terça-feira (24/03), uma atividade dedicada à discussão dos desafios enfrentados pelas mulheres na sociedade brasileira e à homenagem ao legado da magistrada Auri Moura Costa, primeira juíza do Ceará e do Brasil. O evento aconteceu na sede do Judiciário e reuniu magistradas(os), servidoras(es) e convidadas(os).

“Esse encontro foi pensado para acolher, refletir e fortalecer todas nós mulheres. Desejo que esse encontro nos inspire e nos lembre que nenhuma conquista feminina é individual, ela é sempre coletiva”, afirmou a juíza Suyane Lucena, membra do Conselho Editorial e de Biblioteca do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), ao abrir a programação especial.

A programação teve início com a palestra “94 anos depois: os desafios das mulheres na sociedade brasileira”, conduzida pela doutora em Direito Roberta Laena, analista judiciária e coordenadora da Escola Judiciária Eleitoral Cearense. Durante sua exposição, ela ressaltou a importância de debater a temática. “Falar sobre os desafios que as mulheres enfrentam nunca é um tema batido. Muitas ainda vivem situações de violência, discriminação e medo sem conseguir verbalizar ou denunciar. Por isso, precisamos conversar cada vez mais, para que essas realidades deixem de ser invisíveis e passem a ser enfrentadas coletivamente”, frisou.

A palestrante abordou desigualdades históricas que ainda impactam a vida das mulheres, estimulando reflexões sobre desafios contemporâneos, como a maternidade, a violência política de gênero e a sub-representação feminina nos espaços de decisão. Ela lembrou que a mudança desse cenário exige o envolvimento de toda a sociedade. “Precisamos levar esse debate para dentro de nossas casas e para os pequenos espaços de convivência, porque é assim que começamos a desnaturalizar problemas que ainda afetam tantas mulheres”, declarou.

 

Foto com várias mulheres e homens sentadas(os) e, ao fundo, uma mulher em pé, falando ao microfone
A palestrante Roberta Laena destacou as desigualdades históricas que prejudicam as mulheres, como a violência política de gênero

 

LANÇAMENTO

Em seguida, houve o lançamento da biografia da magistrada Auri Moura Costa, produzida pelo Conselho Editorial e de Biblioteca do TJCE. O desembargador Sérgio Luiz Arruda Parente, membro do Conselho Editorial e de Biblioteca do TJCE, apresentou a biografia representando a presidente do Conselho no evento, a desembargadora Maria Iraneide Moura Silva.

“O Conselho Editorial e de Biblioteca do Tribunal de Justiça do Ceará tem a honra de apresentar este trabalho sob o título “Desembargadora Auri Moura Costa” como forma de homenagear a primeira juíza do Estado do Ceará e do Brasil, a qual percorreu inúmeros caminhos na Justiça cearense para fazer valer o Direito aos mais necessitados da sociedade cearense do Século XX especificamente entre as décadas de 1930 (final) e 1970 na judicatura de Primeiro e Segundo Graus”, disse o magistrado.

Na ocasião, foi apresentada a trajetória profissional da magistrada, reconhecida como a primeira juíza do Ceará e do Brasil. Foi destacado seu pioneirismo, o ingresso na magistratura em 1939 e sua contribuição para o fortalecimento do Judiciário em um período marcado por grandes desigualdades sociais e de gênero.

“Celebrar a Auri Moura Costa não é apenas relembrar uma pioneira, é reconhecer que cada mulher que ocupa um espaço de decisão carrega em si a história de muitas outras que vieram antes e também a responsabilidade de abrir caminho para as que virão. Que essa biografia não seja apenas lida, que ela seja sentida, que ela seja refletida e que ela seja compartilhada”, observou a juíza Suyane Macedo de Lucena Bastos.

A obra é fruto de pesquisa conduzida pelo servidor Francisco Roosevelt Marques Bezerra, que resgata marcos importantes da vida da magistrada e seu legado para a Justiça cearense. “Colocar em evidência a vida e o trabalho de Auri Moura Costa é uma obrigação daqueles que buscam a igualdade de gênero, uma vez que foi ela a primeira juíza do Ceará e do Brasil na década de 1930, período em que a mulher teve seu direito ao voto. Seu acesso à magistratura quebra uma barreira não só na área jurídica como também em outras profissões exercidas apenas por homens.”

 

Foto da exposição de três livros de Auri Moura Costa, na vertical, e de vários na posição horizontal
A obra, apresentada pelo Des. Sérgio Parente, é resultado de pesquisa feita pelo servidor Francisco Roosevelt Marques Bezerra

 

A servidora Elaine Sampaio Almeida Macambira enfatizou a relevância do tema abordado. “Foi uma experiência enriquecedora. O tema é extremamente relevante e mostra que muitos dos desafios enfrentados pelas mulheres há 94 anos continuam presentes hoje. Isso nos leva a refletir sobre os avanços conquistados, os obstáculos superados e tudo o que ainda precisamos enfrentar. A conscientização sobre igualdade, valorização e inclusão deve ser uma luta de toda a sociedade, não apenas das mulheres.”

Também prestigiaram o evento as desembargadoras Maria Nailde Pinheiro Nogueira, Jane Ruth Maia de Queiroga e Maria Regina Oliveira Câmara; os desembargadores Francisco Lucídio de Queiroz Júnior e Everardo Lucena Segundo; as juízas Elisabete Silva Pinheiro e Ana Cristina de Pontes Lima Esmeraldo, representando o Comitê de Equidade de Gênero do TJCE; os juízes Francisco Eduardo Fontenele Batista e Cid Peixoto do Amaral Neto; e a advogada Ana Paula Araújo, representando a presidente da OAB – Seccional Ceará.

Agenda2030 JustiçaMulher