“Respeito é um Gol de Placa”: campanha de combate à violência contra a mulher marca final do Campeonato Cearense
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- 08-03-2026
Olhos arregalados, ouvidos atentos. A tensão e a curiosidade provocadas pela convocação do Árbitro Assistente de Vídeo (VAR, na sigla em inglês) logo no início do Clássico-Rei deste domingo (8/3) antecedem um momento emblemático: uma chamada com o objetivo de dar cartão vermelho para a violência doméstica contra a mulher.
O VAR foi acionado para a exibição de vídeo da campanha “Respeito é um Gol de Placa”, realizada pelo Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar.
Durante o momento, foram apresentados números que chancelam a importância de levar o debate para os estádios: as mulheres sofrem 20% mais lesões corporais em dias de jogos, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O material destacou a necessidade do envolvimento de todos os torcedores para que esse cenário seja revertido.
O presidente do TJCE, desembargador Heráclito Vieira de Sousa Neto, argumentou que o momento é de parabenizar todas as mulheres pelo seu dia, mas também de reflexão sobre o enfrentamento de uma realidade que infelizmente ainda existe no país e no estado. “Passa por nós, homens, também uma mudança de comportamento, uma mudança de mentalidade: aprender a respeitar, tornar isto uma prática, não somente uma fala, um discurso. A campanha é fundamental, mas é apenas o instrumento para expandir as mentes para que as pessoas, homens e mulheres, possam viver numa sociedade de respeito e pacífica. E que todos — independentemente de qualquer origem, orientação, raça e gênero — possam ser respeitados e ter iguais oportunidades”, ressaltou.

A presidente da Coordenadoria, desembargadora Vanja Fontenele Pontes, lembrou que o objetivo da campanha é, dentro de um público predominantemente masculino, trazer a ideia do respeito à mulher e fazer com que isso se propague. “Quanto mais falarmos nessa necessidade do respeito, mais nós vamos produzir uma cultura para o futuro, que faça com que a mulher seja respeitada nos seus direitos e na sua vida”, disse.
“Realmente é uma realidade que a gente tem que focar e combater. Num ambiente como esse, em um dia como hoje, onde todas as energias estão focadas no jogo, por 30 segundos, nós paramos para olhar a mensagem contra a violência contra a mulher”, observou a suplente de presidente da Coordenadoria, Silvia de Soares de Sá Nóbrega. “É importante que os pais que trazem as crianças e os jovens que estão chegando no estádio observem que nós estamos atentos a essa realidade que a gente precisa mudar”, completou.
“O número de mulheres que visitam as arenas de futebol é enorme e vem crescendo a cada momento. Com isso, a gente precisa ter uma estrutura para atender essas mulheres e campanhas como essa para que elas não sofram agressão. Aqueles desavisados, que insistem em agredir as mulheres, eles têm que saber que o Judiciário está atento. Nós temos inclusive, aqui na Arena Castelão, a Sala Lilás, que orienta e recebe as mulheres que estão com algum tipo de problema e as encaminha para o setor mais adequado. Então é uma campanha muito importante, e que os homens se conscientizem que agredir as mulheres não tem sentido”, explicou o coordenador do Juizado do Torcedor, desembargador Paulo de Tarso Pires Nogueira.
“Esse problema que a gente tem de resolver — a violência crescente contra as mulheres — depende muito dessa união de todos. E aqui hoje estão representados todos os órgãos”, frisou a secretária estadual das Mulheres no Ceará, Lia Ferreira Gomes. “E essa união é muito importante porque o desafio é muito grande. A violência contra as mulheres infelizmente tem crescido”, justificou.

“O estádio é um local predominantemente masculino, e ter essa ação no Dia da Mulher faz com que a gente tenha de fato essa representação feminina. E como a gente já costuma dizer no mundo do futebol, lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive nos estádios”, opinou a torcedora do Ceará e nutricionista, Claíse Emanuelle.
A torcedora do Fortaleza e técnica de enfermagem, Beatriz Cruz, elogiou a presença dos órgãos públicos para dar apoio às mulheres que gostam de ir aos estádios. “É de extrema importância isso para que a gente se sinta segura cada dia mais e em cada jogo que venha a acontecer”, argumentou.
A ação coroou o fim do Campeonato Cearense 2026, que teve em seus jogos, ao longo dos últimos três meses, uma série de atividades da mobilização do TJCE. A campanha, lançada no dia 11 de janeiro deste ano, durante o Clássico das Cores entre Fortaleza e Ferroviário, contou também com distribuição de materiais informativos com telefones úteis de canais de denúncia, camisas alusivas e mensagens de conscientização exibidas nos telões dos estádios.
A Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do TJCE está à frente da iniciativa, que conta com o apoio do Governo do Estado (por meio das Secretarias de Esportes e das Mulheres) e da Federação Cearense de Futebol (FCF), além de outros órgãos parceiros e clubes de futebol.



