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Grupo realiza reuniões virtuais para auxiliar famílias em situação de divórcio durante pandemia

Publicado em: 09-07-2020

Com o objetivo de auxiliar famílias em situação de divórcio litigioso, o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) de Fortaleza criou, durante o período de pandemia, o Grupo de Vivência de Educação Parental. Iniciada no dia 6 de maio, a iniciativa já promoveu nove encontros online e contou com a participação de 29 pessoas, entre pais e mães. As reuniões ocorrem nas quartas-feiras, as 9h30 às 11h30.

As reuniões contam com discussões sobre a importância da separação entre parentalidade (cuidados parentais e relações entre pais e filhos) e conjugalidade (laços afetivos e sexuais); a necessidade de promover o bem-estar dos filhos, a partir da promoção do seu próprio bem-estar; entre outros assuntos. Para isso, são promovidas atividades como o desenvolvimento de habilidades sociais, reflexões que estejam relacionados aos temas e exibição de cenas de filmes e vídeos (cinematerapia) com a temática da alienação parental e da parentalidade.

Os participantes também têm acesso a aconselhamentos psicológicos, em ambiente virtual, sob orientação da psicóloga do Cejusc Mônica Sant’Ana Mantini. Além disso, os pais e mães são orientados a participar de oficinas ofertadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), na modalidade de ensino à distância (EaD). As medidas surgiram em virtude da impossibilidade de realizar presencialmente as Oficinas de Parentalidade, que promovem encontros, orientações e reflexões com os pais atendidos pelo Centro Judiciário.

Mônica Sant’Ana, idealizadora do projeto junto com as estagiárias Larissa Alves Teixeira Castelo e Maria Helena Nussio Barbosa, explica que a ideia surgiu da necessidade de os pais “experienciarem um pouco dos temas expostos nas Oficinas do Cejusc”. Ela relata que os grupos contam com a participação e interação de pais e mães que já participaram das Oficinas, “para trocar experiências sobre o que ouviram na exposição de temas sobre a parentalidade”.

Para Maria Helena, apesar das dificuldades “é possível construir algo novo, tocar a vida pra frente, continuar com nosso trabalho de ajudar as pessoas, e motivar as famílias a fazerem o mesmo.” Já Larissa Alves ressalta que o método online traz benefícios aos participantes, pois “esses pais estão sendo acessados, estão refletindo, se movimentando ao ir aos aconselhamentos. Um resultado positivo da reflexão e acolhimento que geramos”.

Josevan Oliveira dos Santos, participante de um dos grupos, disse ter ficado surpreso com as atividades realizadas pelo Grupo. “Eu não imaginava que isso existia, quando eu fui informado pensei que seria algo mais técnico, mais jurídico. Mas quando participei me senti tão bem, me ajudou tanto no processo que estou passando que eu fiquei pasmo, surpreendido positivamente. Eu indico a oficina e incetivo po

bastante”, relata.

Já Tyrcya Quariguasi, outra beneficiada pelos encontros, acredita que participar é uma “experiência recomendada a todos os pais ou responsáveis partes do processo. Ali encontramos espaço para a fala e para a escuta, trocamos experiências e aprendemos muito sobre nós mesmos, o outro e os nossos filhos”. Ela destaca que “é a oportunidade de enxergar a origem do problema. Os conflitos individuais que existem além do processo. As oficinas deveriam ser prática obrigatória e caminhar junto com as decisões jurídicas, tornando a análise algo plural e multidisciplinar”.

FORTALECIMENTO DE VÍNCULOS

Com experiência em direito da Família, a juíza Ana Kayrena Freitas, coordenadora do Cejusc de Fortaleza, relata as dificuldades dos envolvidos em fortalecer vínculos ao passar pelas tribulações de uma separação. “É constatado em muitas demandas judiciais o enfraquecimento do vínculo familiar, por isso, o grupo proporciona reflexões para o fortalecimento da relação de parentalidade”, destaca.

Para a magistrada, neste cenário de pandemia e isolamento social, “que normalmente ocasiona diversos reflexos nas relações familiares, os encontros do grupo possibilitam trocas de experiências entre os pais e reflexão sobre a aplicação dos ensinamentos da Oficina de Pais e Filhos na rotina familiar, tornando-se então uma importante iniciativa na pacificação social.”

A coordenadora diz ter sido surpreendida pelo retorno e satisfação das partes envolvidas em demandas familiares com relação às iniciativas do grupo de vivências. “É muito bom sentir que uma iniciativa nossa tenha obtido um resultado tão satisfatório com as famílias, em todos os aspectos.”