Diálogo sobre masculinidades e paternidades fortalece debate sobre equidade de gênero no TJCE
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- 28-08-2026
Reflexões sobre paternidade, cuidado e novas formas de vivenciar as masculinidades estiveram no centro dos debates da programação realizada nesta sexta-feira (28/08), na Escola Superior da Magistratura do Ceará (Esmec), como parte do Programa “Equidade é Compromisso Conjunto: Refletindo sobre Masculinidades no Poder Judiciário Cearense”. As atividades foram promovidas pelo Comitê Gestor de Equidade de Gênero do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), com apoio da Esmec e do Centro de Formação dos Servidores do Poder Judiciário do Ceará.
A programação teve início pela manhã, com o seminário “Paternidades e Cuidado: Um Caminho para Outras Masculinidades”. A abertura contou com a apresentação do Grupo Choromingando, formado por adolescentes atendidos pelo Espaço Viva Gente, um equipamento social da Secretaria da Proteção Social (SPS) do Governo do Estado, voltado a famílias em situação de vulnerabilidade. Com repertório de chorinho, os músicos recepcionaram o público e proporcionaram um momento de valorização da cultura antes do início das atividades formativas.
Abrindo o evento, a coordenadora do Comitê Gestor de Equidade de Gênero do TJCE, desembargadora Ângela Teresa Gondim Carneiro Chaves, ressaltou que a pauta da equidade envolve toda a sociedade e que a participação masculina é essencial para a transformação cultural pretendida pelo programa.
“Compreendemos que o Comitê não é só sobre mulheres. É sobre homens também, porque a sociedade é composta por todos nós. Não adianta desenvolvermos projetos voltados apenas para as mulheres sem sensibilizarmos os homens para temas que são importantes para a construção da equidade. Nossa proposta é promover espaços de diálogo e reflexão como estes sobre os modelos tradicionais de masculinidade e os impactos que eles possuem nas relações pessoais, familiares e profissionais”, enfatizou.
A juíza coordenadora da Esmec, Ana Paula Feitosa, destacou a importância da educação como ferramenta de transformação institucional. “Compreendemos a educação como um instrumento capaz de produzir mudanças na cultura institucional e favorecer um olhar mais sensível e consciente sobre as questões de gênero. Que este seminário seja, portanto, um espaço de escuta, de diálogo e de construção coletiva.”
Também presente ao evento, o presidente do TJCE, desembargador Heráclito Vieira de Sousa Neto, disse que o debate sobre equidade de gênero e masculinidades deve ser uma pauta permanente do Judiciário cearense. “Esse tema não é pontual, não é esporádico. Ele precisa ser tratado de forma permanente, por meio da conversa, da reflexão e do diálogo. O trabalho desenvolvido pelo Comitê traz consequências que muitas vezes não são perceptíveis como uma obra física, mas que são tão ou mais importantes, porque acolhem aquelas(es) que atuam no Poder Judiciário e aquelas(es) que precisam dele”, afirmou.

Para aprofundar o debate, o psicólogo e consultor nas áreas de gênero, masculinidades, paternidades, cuidado e prevenção da violência baseada em gênero, Daniel Costa Lima, conduziu o seminário sobre o tema. O momento foi mediado pela também psicóloga e membra do Comitê Gestor de Equidade de Gênero, Débora Pinho Arruda.
O palestrante trouxe reflexões sobre a construção social das masculinidades e os desafios relacionados ao exercício da paternidade, destacando a importância do cuidado, da corresponsabilidade e da construção de relações mais equilibradas, respeitosas e igualitárias. “As mulheres fizeram e continuam fazendo a sua revolução. O que eu acredito é que a revolução dos homens é para dentro. É para dentro de casa, das nossas famílias e dos nossos lares, para a divisão das tarefas de cuidado da casa e dos filhos. Mas não apenas isso, é também para dentro de nós mesmos”, frisou.
Ao abordar os impactos da paternidade na vida familiar, o psicólogo Daniel Costa Lima ressaltou que o envolvimento dos pais no cuidado e na criação dos filhos produz efeitos duradouros e influencia aspectos emocionais, sociais e comportamentais das crianças ao longo da vida. “As relações pai-filho têm impactos profundos sobre as crianças que podem durar por toda uma vida, sejam essas relações positivas, negativas ou inexistentes”, destacou.
A programação reuniu magistradas(os), servidoras(es) e estudantes da Escola de Ensino Médio em Tempo Integral (EEMTI) Sítio São José, localizada em Messejana. Entre as(os) participantes estava o estudante Júlio César, do 1º ano do ensino médio. Para ele, o momento permitiu compreender melhor o papel da figura paterna e a importância do cuidado nas relações familiares. “Um dia quero ser pai, um pai presente, igual ao meu pai. Participar desse momento é relevante porque a gente aprende mais sobre a importância de estar presente na vida dos filhos”, destacou.
Já o servidor do TJCE, Agatônio Lopes, destacou que o encontro ampliou suas concepções sobre paternidade e masculinidade. “Foi uma experiência muito rica, porque nos faz perceber que existem diferentes formas de viver a paternidade e a masculinidade. O que mais me chamou atenção foi a relação entre esse debate e a equidade de gênero. Quando iniciou a palestra, eu pensei ‘gostaria de ter ouvido essas reflexões quando meu filho era pequeno’. Hoje ele tem 14 anos, mas nunca é tarde para aprender. Saio daqui motivado a colocar em prática esses ensinamentos”, comentou.

Dando continuidade às reflexões iniciadas pela manhã, o psicólogo Daniel Costa Lima conduziu, no período da tarde, a roda de conversa “O Pai que Eu Tive, o Pai que Eu Sou, o Pai que Quero Ser”, voltada ao público masculino. A proposta foi incentivar os participantes a refletirem sobre seu papel nas famílias e na sociedade, bem como sobre o tipo de pai, companheiro e homem que desejam ser.
O PROGRAMA
Lançado pelo TJCE em agosto de 2025, o Programa “Equidade é Compromisso Conjunto: Refletindo sobre Masculinidades no Poder Judiciário Cearense” é uma parceria entre o Comitê Gestor de Equidade de Gênero e a Secretaria de Gestão de Pessoas (SGP). A iniciativa busca ampliar a participação masculina nas ações voltadas à redução das desigualdades de gênero, contribuindo para a construção de um ambiente institucional mais inclusivo e igualitário.
Desde sua criação, o programa vem promovendo palestras, rodas de conversa, cine-debates e outras ações formativas voltadas à reflexão sobre masculinidades, paternidades, cuidado, corresponsabilidade e equidade de gênero, fortalecendo uma cultura institucional pautada pelo respeito, diálogo e valorização das diferenças.



