I Seminário de Comunicação Pública e Justiça debate o valor do engajamento humano na era da tecnologia
- 241 Visualizações
- 24-08-2026
Com foco nas estratégias para valorizar e envolver as pessoas que integram a força de trabalho do Poder Judiciário, o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) promoveu, nesta sexta-feira (21/08), o I Seminário Comunicação Pública e Justiça. O evento ocorreu no auditório da Universidade de Fortaleza (Unifor) e reuniu servidoras(es), magistradas(os), profissionais da área e estudantes em torno do debate sobre “Comunicação Interna e Engajamento Institucional” e oficinas de inovações tecnológicas que podem aprimorar os serviços prestados à população.
A programação teve início com a palestra “Comunicação Interna no Setor Público”, conduzida pela jornalista e servidora pública Aline Castro, especialista na área e atualmente integrante da equipe de comunicação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Vice-presidente da Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública) e criadora do podcast “Comunicação Pública: Guia de Sobrevivência”, Aline Castro apresentou diretrizes fundamentais para transformar a comunicação interna das organizações em motor de engajamento, cultura e produtividade.
Durante a exposição, a especialista destacou que nenhuma estratégia de comunicação consegue sustentar o envolvimento das equipes se a cultura organizacional caminhar em sentido oposto. Para viabilizar esse alinhamento de interesses, a jornalista salientou ser necessário fomentar o propósito, criar laços, prestar reconhecimento, incentivar boas práticas e facilitar o trabalho diário.
Também falou da importância de conectar o papel de cada colaboradora e cada colaborador ao impacto público da instituição para simplificar processos por meio de linguagem direta, criação de tutoriais e aproximação entre a alta gestão e as equipes. Ao final, reforçou que o papel central do setor de comunicação é dar transparência, construir confiança e servir como ponte entre a organização, o público interno e a sociedade.
“O tema é importantíssimo. Fico muito feliz com o espaço, com o Tribunal de Justiça estar atento à comunicação pública e fazendo esse convite para que outras instituições também façam parte. A gente ganha muita força quando une esforços, quando o poder público de diferentes áreas, poderes e esferas se junta para pensar em como se aproximar das pessoas, prestar serviços relevantes, disseminar direitos e dar orientações. Quando as pessoas se interessam e se integram, a nossa democracia se fortalece e a gente tem uma sociedade mais bem informada e empoderada para exercer seus direitos. A comunicação institucional faz parte, mas a dimensão pública — a promoção da cidadania, de trazer as pessoas para perto e empoderá-las para que sejam agentes, e não meros receptores dos atos públicos — é a alma e a essência da comunicação pública”, pontuou a comunicadora.

DEBATE
Após a apresentação, houve debate com a participação de Aline Castro, do juiz auxiliar da Presidência do TJCE, Marcelo Roseno, e da pesquisadora e jornalista Grazielle Albuquerque, que é consultora de Comunicação Interna do TJCE. A mediação foi da chefe da Assessoria de Comunicação do Tribunal, a jornalista Lyana Ribeiro.
O juiz auxiliar da Presidência enalteceu o compromisso da atual Gestão do TJCE com o fortalecimento do diálogo com o público interno e o aperfeiçoamento da equipe que atua na Assessoria de Comunicação. “O intercâmbio com a Aline foi muito rico, forneceu muitas ideias novas e oportunidades para que a gente invista em comunicação interna, que, como vimos aqui, não pode estar dissociada também da política de comunicação do Tribunal como um todo. Acho que saímos mais fortalecidos enquanto instituição no sentido de que vamos conseguir aperfeiçoar muito a nossa comunicação, tanto com o público interno como com a sociedade”, considerou Marcelo Roseno.
Algumas das ações para o aprimoramento da comunicação interna do Tribunal estão sendo conduzidas pela jornalista e pesquisadora Grazielle Albuquerque, que antecipou algumas das entregas no debate, como os resultados de uma pesquisa iniciada no final do ano passado.
“O ecossistema hoje de pessoas no Tribunal de Justiça é de quase 11 mil, entre servidores, magistrados, terceirizados e estagiários. É um público muito diverso e presente em 184 municípios. Dada essa dimensão, a preocupação especial e que merece ênfase é de olhar para esse público e tentar entender como ele consome informação e como se relaciona com o Tribunal. Ao dividir em pesquisa quantitativa e qualitativa, isso vai se repercutir em um plano de comunicação focado na realidade do Tribunal. Isso nos ajuda a pensar em um plano que será colocado em prática. Aparece o elemento humano como algo central, as diferenças de gerações e de tempo de permanência no Tribunal como um elemento importante para entender o comportamento. Estamos fechando essa parte de diagnóstico para, em breve, começar a trabalhar em ações mais específicas”, adiantou a consultora.
“Que essa primeira edição do seminário, gestado e ansiado por diversos órgãos do sistema de justiça, nos mostre caminhos em tempos de multi-informações, para que nossa conversa nos instigue a sermos comunicadores mais atentos e humanos, mesmo usando IAs e robôs como aliados”, avaliou Lyana Ribeiro ao final do debate.

AVALIAÇÃO DO PÚBLICO
A jornalista Lanna Roriz, editora de área da Secretaria de Comunicação do Ministério Público do Ceará (MPCE), destacou o ineditismo e a relevância do seminário.
“Reunir as instituições do Sistema de Justiça para debater as dinâmicas e desafios comuns da comunicação interna, além de uma ação pioneira, é de grande utilidade. A comunicação com as pessoas que integram os órgãos públicos de uma forma geral não só tem crescido como é essencial para a motivação, impactando na produtividade e qualidade do que se entrega à sociedade. Muito salutar buscar alternativas que beneficiem coletivamente as instituições para um trabalho cada vez mais eficiente”, observou.
Wescley Jorge, gerente de Comunicação do Laboratório Central de Saúde Pública do Ceará (Lacen/CE), compartilhou do mesmo entusiasmo ao avaliar o impacto prático das discussões.
“O seminário foi enriquecedor com informações precisas e assertivas acerca da comunicação pública, com foco na comunicação interna. Podemos conhecer mais sobre experiências, formatos e caminhos exitosos que enriquecem o fazer da comunicação interna em instituições públicas. A discussão foi desenvolvida a partir de desafios a serem superados, experiências de sucesso, meios que contribuem e favorecem o fazer diário da comunicação. Debater todas essas questões, explorar as temáticas pertinentes e poder compartilhar ideias, modelos e formatos ampliam os recursos comunicativos em busca de ações mais expressivas, inclusivas, participativas e democráticas”, afirmou.
A diretora do Centro de Ciências Jurídicas da Unifor, professora Juliana Mamede, disse que a realização do Seminário na Universidade de Fortaleza foi mais uma celebração da sólida parceria da instituição com o Tribunal e parabenizou a iniciativa.
“Uma instituição que se comunica bem com seus integrantes está mais preparada para ouvir a sociedade, explicar suas decisões, prestar contas de sua atuação e tornar seus serviços mais acessíveis, humanizados e empáticos. Comunicação pública, nesse sentido, não é apenas uma divulgação institucional, é serviço público, transparência, cidadania e também uma condição para o fortalecimento da confiança social nas instituições”, enfatizou.

LINGUAGEM SIMPLES
À tarde, na Unifor, a programação do evento contou com a oficina “Direito Visual e Linguagem Simples: pra quê?”, que foi ministrada pelo consultor de inovação jurídica do Laboratório de Inovação (LabLuz) do TJCE, Iago Capistrano Sá.
O momento foi dividido entre teoria e prática, com a apresentação de características e diretrizes sobre o uso da linguagem simples. Durante essa primeira etapa, o consultor definiu a linguagem simples como um movimento social e técnica de comunicação que torna as informações públicas mais acessíveis, inclusivas e compreensíveis à população. Além disso, foram apresentados os princípios que guiam a linguagem simples, como empatia e foco na cidadã e no cidadão, participação social, inovação e transparência.
“Eu sempre gosto de resumir que a ideia do que a gente fala é uma palavra de ordem, que é a empatia, se colocar no lugar da pessoa que recebe aquela comunicação. Então, no Judiciário e em outros organismos públicos, sempre é importante sermos empáticos na forma que a gente transmite a comunicação para as pessoas. Isso é de extrema relevância para a reputação do órgão e para a efetivação do próprio serviço que está sendo prestado”, reforçou Iago Capistrano.
Para a advogada Marcela Alves, a oficina foi uma oportunidade de praticar a linguagem simples. “Essa atividade eu achei incrível, fantástica, principalmente porque motivou a gente a pensar como quem está recebendo a comunicação”, opinou.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Já a oficina “IA na Comunicação Pública: da ferramenta à rotina” foi conduzida pelo diretor do Departamento de Multimeios do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Felipe Barreto, e ocorreu por videoconferência.
Durante a capacitação, o mestre em comunicação pública compartilhou as ferramentas utilizadas para otimizar os fluxos diários do Poder Judiciário fluminense, reforçando que o ser humano é o foco do trabalho. O jornalista enfatizou a necessidade de estabelecer protocolos de utilização da inteligência artificial para acelerar e dar maior possibilidade de as equipes cumprirem um bom trabalho.
“Cada vez mais a comunicação tem se utilizado das ferramentas de inteligência artificial para aprimorar seus conteúdos. O que acontece é que essas iniciativas estão muito individuais, pela curiosidade de cada comunicador público. É preciso estabelecer protocolos, procedimentos, ainda que internos, ainda que embrionários, para que lá na frente isso possa se tornar algo ainda mais sofisticado, mais complexo e que cumpra aquilo que a comunicação pública preconiza. Ou seja, temos que trabalhar com 100 vieses de gênero, de raça, de credo, trabalhar de maneira impessoal e com a finalidade de atingir o cidadão. É para isso que a gente trabalha com IA”, disse Felipe Barreto.
A coordenadora da Coordenadoria de Governança da Secretaria-Geral Judiciária do TJCE, servidora Christiane Myrta, afirmou que a oficina foi bastante útil. “As orientações práticas sobre o uso da IA, especialmente na criação de ‘skills’ e agentes, contribuem para produzir comunicações mais adequadas ao público-alvo, com maior agilidade e potencial de engajamento, otimizando os recursos disponíveis”, ressaltou.



