Escute o Silêncio: Projeto para proteger crianças e adolescentes no ambiente virtual é apresentado a instituições de ensino
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- 11-03-2026
O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) promoveu, nesta quarta-feira (11/03), reunião com integrantes do Sindicato dos Estabelecimentos de Educação e Ensino da Livre Iniciativa do Estado (Sinepe/CE). O objetivo foi apresentar o projeto “Escute o Silêncio”, iniciativa da Ouvidoria do Poder Judiciário e do Órgão de Macrogestão da Justiça Restaurativa do TJCE para proteger crianças e adolescentes no ambiente virtual.
“A ideia surgiu a partir de várias demandas que chegaram à Ouvidoria. Às vezes, a gente acha que o filho está tranquilo dentro de casa, porque está no quarto trancado, mas o silêncio realmente não significa que está tudo bem, pelo contrário. Esse mundo virtual pode ser uma ferramenta perigosa, se não houver supervisão. Então, os pais têm de estar presentes e, também, os educadores para poder orientar cada vez mais as famílias”, explicou a ouvidora do Poder Judiciário e supervisora do Órgão de Macrogestão da Justiça Restaurativa, desembargadora Andrea Mendes Bezerra Delfino.
A magistrada exibiu o protocolo “Escute o Silêncio”, detalhando os objetivos, ações a serem implementadas e canais de atendimento. A estratégia de atuação será dividida em dois eixos estratégicos: “Ouvidoria”, focado no acolhimento, na realização de palestras educativas e no estabelecimento de um canal direto e seguro para denúncias de violência e negligência; e “Justiça Restaurativa”, voltado à implementação de círculos restaurativos e oficinas artísticas, usando teatro, música e desenho para dar visibilidade aos sentimentos dos jovens.
O propósito é, através dessas ações integradas, romper o silêncio para garantir que nenhuma criança ou adolescente permaneça invisível no ambiente escolar ou familiar. “Todo mês, durante este ano, nós vamos lançar uma campanha de alerta para uma situação particular. E a gente quer contar com o apoio de todas as escolas e dos pais para tentar melhorar essa situação de crianças e adolescentes”, informou.
“Essa iniciativa é louvável. As escolas têm muitos problemas com os pais e, com vocês perto da gente, segurando as nossas mãos, com certeza nós vamos contribuir com uma sociedade melhor, com uma formação melhor e eu, particularmente, me sinto muito feliz e agradecida”, afirmou a presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Educação e Ensino da Livre Iniciativa do Estado (Sinepe/CE) e diretora do Colégio Dáulia Bringel, pedagoga Graça Bringel.
ELOGIOS
Diretora do Colégio Farias Brito Baby Sul, a psicóloga Lília Prisco disse que é inquestionável o prejuízo causado pelo uso excessivo de telas e salientou o quanto é necessária a ação da Justiça estadual. “Quero parabenizar pela iniciativa. É muito bom quando a gente tem esse apoio. São sementinhas que vão sendo plantadas, mas a gente espera que o trabalho surta um resultado positivo.”
Segundo o diretor do Colégio 21 de Abril, pedagogo Airton Oliveira, “a escola sempre teve essa preocupação, mas ficou órfã, sem adesão dos pais e das mães. E esse é um projeto importante, porque o Tribunal de Justiça toma a frente e vem para fortalecer”.

“A gente precisa trabalhar junto. Tão importante quanto a cartilha é essa abertura do Poder Judiciário. Eu nunca tinha sido convidado para um momento como esse e é muito rica essa possibilidade de interação com vocês”, acrescentou o diretor-geral do Colégio Christus, educador José Rocha.
“Nesta manhã de quarta-feira, eu saio daqui ainda mais feliz, porque o Tribunal de Justiça está abrindo a Ouvidoria e a Justiça Restaurativa. Contem com o Sinepe para fortalecer esse projeto de tão grande relevância, que a gente realmente precisa enquanto cidadãos civis, enquanto entes institucionais”, destacou a vice-presidente do Sinepe e diretora do Colégio Deoclécio Ferro, educadora Andréa Nogueira
Ao falar sobre a relevância do debate interinstitucional, o diretor do Colégio Nova Dimensão, o educador Remmy Cabó, comentou que diariamente a escola enfrenta problemas com a dependência de telas. “Por que alguém achou que seria de bom tom dar um celular para uma criança com nove anos de idade? E como pedir que um pai ensine limites de uso de celular se ele não larga o celular nem para dar atenção ao filho? Então, contem conosco. Além de ser um dever cívico, é algo que para a gente toca profundamente e acredito que temos, sim, muitas ferramentas para juntos podermos trabalhar”.
Também participaram da reunião as juízas Danielle Pontes de Arruda Pinheiro e Cristiane Maria Martins Pinto de Faria; e o juiz Antônio Edilberto Oliveira Lima, auxiliares da Ouvidoria, além da servidora Terezinha Vasconcelos, coordenadora da Ouvidoria do Poder Judiciário.
Presentes, ainda, Luiz Lemos (Colégio Maria Ester); Lucieudo Ferreira (Colégio Manuel da Silva); Conceição Viana (Colégio Lucê); Shellyda Perotti (Colégio Farias Brito); Leila Brito e Leonardo Rocha (Colégio Christus); bem como assessores jurídico e de comunicação do Sinepe/CE, Gleidson Carlos e Juliana Façanha, respectivamente.
Clique AQUI para acessar o Procotolo “Escute o Silêncio”. Orientações sobre uso de telas, mediação familiar, sinais de alerta e outras informações estão disponíveis nesta CARTILHA.



