Dignidade e renascimento: “Meu Nome, Minha História” proporciona quase 200 retificações de nome e gênero para pessoas trans
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- 11-03-2026
Aos 29 anos, a esteticista Rayala Rodrigues renasceu. Como em um rito, que teve como palco o Escritório de Prática Jurídica da Universidade de Fortaleza (Unifor), na tarde desta terça-feira (10/03) ela deu entrada na retificação de nome e gênero durante mais uma edição da campanha “Meu Nome, Minha História”, do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE).
Para ela, o renascimento permite não sofrer mais a violência de ser chamada por um nome que não lhe pertence. “É um novo começo! Praticamente um renascimento, né?! Porque, até então, a gente acabava passando pelo constrangimento de ser chamado por um nome que não usa mais. Algumas pessoas se aproveitam disso até para te diminuir de alguma forma, chamando pelo nome morto”, detalhou Rayala.
“Se você falece com um nome morto, será chamado pelo nome morto até no túmulo. Se você vai para um hospital com o nome morto e é chamada, aquilo causa um constrangimento imenso”, compartilhou Rayala sobre seus pensamentos, comuns a tantas outras pessoas trans que lutam para validar a própria existência no mundo.
Assim como Rayala, 198 pessoas trans deram passos rumo a uma nova vida durante a campanha, que é uma iniciativa da Diretoria do Fórum Clóvis Beviláqua, por meio do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) de Fortaleza e da Corregedoria-Geral de Justiça do Ceará (CGJ/CE). O mutirão teve início no dia 2 de março e foi encerrado nesta terça-feira (10/03).
A juíza Suyane Macedo de Lucena, coordenadora do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), afirmou que a campanha produz impacto social direto e profundo. “O nome é muito mais do que um dado formal: ele representa identidade, pertencimento e reconhecimento social. Quando o documento reflete a identidade, a pessoa deixa de se explicar o tempo todo e passa a existir com dignidade. Então, o mutirão é sobre olhar para essas pessoas com respeito. É sobre transformar documento civil em instrumento de cidadania”, enfatizou.

Com a mudança de nome, a vendedora Sabrina Evelyn, 21, também poderá ver em seus documentos o reflexo da mulher que ela sempre foi. “As pessoas vão me enxergar como a mulher que eu realmente sou, diminuindo o preconceito. O que eu mais espero com a mudança de nome é deixar claro a mulher que eu sempre quis ser, então realmente é uma transformação.”
A próxima etapa da campanha consiste em entrevista com profissionais da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado do Ceará (Arpen-CE), outra instituição engajada na campanha. A ação ocorrerá nos dias 30 e 31 de março, também na Universidade de Fortaleza.
SAIBA MAIS
A campanha “Meu Nome, Minha História”, que reduz as barreiras burocráticas para garantir dignidade e direito à identidade civil para a população trans, foi realizada pela primeira vez em novembro de 2024. Nesta edição, a mobilização contou com a parceria da Unifor.
O processo consistiu em agendamento e atendimento para apresentação de todas as documentações e certidões necessárias, fase realizada entre 2 e 10 de março. Neste ano a campanha foi ampliada para contemplar mais seis municípios da região metropolitana de Fortaleza: Aquiraz, Caucaia, Eusébio, Itaitinga, Maracanaú e Pacatuba.



