Judiciário estadual inclui técnica de simulação prática no Curso de Formação de Entrevistadores Forenses
- 241 Visualizações
- 18-03-2026
O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) promoveu, nesta quarta-feira (18/03), a primeira aula presencial deste ano do Curso de Formação de Entrevistadores Forenses no Protocolo Brasileiro de Entrevista Forense (PBEF). Nesta etapa está sendo utilizada, de forma inédita, a técnica de “role playing”, que é uma simulação prática para tirar dúvidas e garantir ainda mais respeito e segurança nas oitivas de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência.
“É uma inovação porque, nos cursos ofertados em outros tribunais e instituições, a gente não tem previsto um dia como esse. E essa ideia nasceu da necessidade de entrevistadores que já se capacitaram e sentiram um lapso entre o curso teórico e a prática das audiências. A gente incluiu esse momento treinando mesmo a prática, tirando as dúvidas e vendo todo esforço que o entrevistado forense tem de ter, a gama de conhecimentos que ele utiliza na hora. Tem sido muito interessante”, explicou a facilitadora do curso, Rochelli Lopes Trigueiro, que é psicóloga e supervisora de entrevistadores forenses.
Inicialmente, a simulação prática envolveu histórias vivenciadas pelas(os) próprias(os) participantes, que foram divididas(os) em duplas para que pudessem utilizar técnicas da entrevista forense. Foram observadas etapas como introdução, construção de empatia, regras e diretrizes, prática normativa, interação com a audiência. Em seguida, foram apontadas as considerações sobre cada interação.
À tarde, a capacitação foi aprofundada com a introdução de casos reais, com a devida omissão de dados que pudessem identificar as partes envolvidas nos processos, para o aprofundamento das habilidades de comunicação e argumentação, essenciais durante a entrevista forense.
A assistente social Edvani Gonçalves Silva, que é de Sobral, tem grande expectativa para concluir o curso de formação como entrevistadora forense. Para ela, a simulação foi uma etapa importante após as aulas teóricas.
“O curso em si é muito desafiador. Quando a gente está aqui, na hora de entrevistar alguém, quando a gente começa a fazer as perguntas, percebe a importância de ter realmente todo o domínio do conteúdo, o domínio do protocolo, e também de ter a calma, a tranquilidade para realizar o depoimento especial. São vidas que estão nas nossas mãos, então, se a gente não tiver realmente muito treino, muita capacitação para realizar o depoimento especial, a gente pode inclusive ter uma passagem negativa na vida dessas crianças”, salientou Edvani.
O psicólogo Vinícius Eloi faz atendimentos no Centro Especializado de Apoio às Vítimas (Ceav) da Comarca de Fortaleza e atua como perito judicial cadastrado no Sistema de Peritos (Siper) do TJCE. Apesar da experiência nessas áreas, ele afirmou que as técnicas para a realização do depoimento especial são específicas e demandam um estudo aprofundado na área.

“Mesmo sendo psicólogo, aqui a gente não está para exercer essa função, e sim de investigador. Tem sido uma experiência muito positiva e gratificante também estar fazendo parte, já que é um curso bem imersivo que exige presença, dedicação, estudo e um verdadeiro mergulho em questões relacionadas ao desenvolvimento infantil e à oitiva de crianças e adolescentes. Minha principal expectativa é conseguir atuar com depoimento especial tanto aqui em Fortaleza, como também em outras comarcas do Interior”, destacou Vinícius Eloi.
Atualmente, 34 pessoas estão fazendo do Curso de Formação de Entrevistadores Forenses no Protocolo Brasileiro de Entrevista Forense promovido pelo Núcleo de Depoimento Especial (Nudepe) do TJCE, com o apoio do Centro de Formação de Servidores da Secretaria de Gestão de Pessoas (Cefor/SGP).
Para as simulações presenciais, o grupo foi dividido em três turmas, começando com a aula desta quarta-feira, que contou com 9 participantes. Os próximos encontros serão nos dias 23 e 27 de março, das 8h às 17h, com as(os) demais alunas(os), no Fórum Clóvis Beviláqua.
“Este curso representa uma oportunidade valiosa de atualização, crescimento e fortalecimento de conhecimentos, habilidades e competências essenciais para a prática de cada um. Esperamos que seja um espaço de construção coletiva, reflexão e aprofundamento, no qual cada participante possa ampliar sua visão, aperfeiçoar sua atuação e transformar conhecimento em resultados concretos”, reforçou a coordenadora do Nudepe, desembargadora Tereze Neumann Duarte Chaves.
O Curso de Formação de Entrevistadores Forenses no PBEF começou em novembro do ano passado. A duração é de 130 horas/aula, sendo 105h teórico-práticas, com aulas assíncronas (que não tem horário fixo) na plataforma EducaJus, encontros síncronos (em tempo real) via Microsoft Teams, momentos presenciais em Fortaleza, além de estágio supervisionado em unidades judiciárias. Para participar, é necessário ter formação superior em Psicologia, Pedagogia, Serviço Social, Antropologia ou Direito, conforme o Edital nº 215/2025.
Nesta quarta-feira, a capacitação foi acompanhada pela secretária executiva do Nudepe, Iana Martins Araújo, a servidora Viviane da Costa Pereira, pela responsável pelo Complexo de Depoimento Especial do FCB, Priscila Teófilo, e pela estagiária de pós-graduação em Direito, Nyhara Mariano da Costa Monteiro, que atuam no Núcleo.



