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Foto de uma mulher falando ao microfone no auditório e, ao lado dela, uma mesa com várias pessoas sentadas

Primeira desembargadora eleita em processo exclusivo para mulheres é empossada pelo TJCE

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O Pleno do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) realizou, nesta sexta-feira (27/03), a cerimônia de ratificação de posse da desembargadora Maria Marleide Maciel Mendes, a primeira a ser eleita no Ceará em processo voltado exclusivamente à concorrência feminina. A solenidade ocorreu na Escola Superior da Magistratura (Esmec) e reuniu integrantes do Judiciário, autoridades, familiares e amigas(os) da magistrada.

Escolhida pelo critério de merecimento após quase 33 anos de dedicação à Justiça cearense, a magistrada chegou ao auditório da Esmec acompanhada do decano do Tribunal, desembargador Fernando Luiz Ximenes Rocha, e do desembargador José Krentel Ferreira Filho, que integra a Corte há aproximadamente cinco meses.

Coube ao desembargador Emanuel Leite Albuquerque dar as boas-vindas à desembargadora. O magistrado falou sobre a carreira dela, que também é professora e atua como formadora da Esmec. “Como podemos olhar para a desembargadora Marleide, acredito, à desduvida, como mulher: que ama sua família – pais, filhos, netos, irmãos e irmãs, forte, determinada, capaz de suplantar adversidades, e como magistrada, vocacionada, prendada, produtiva, sempre voltada para a qualidade de suas decisões e tratando o jurisdicionado com urbanidade”, ressaltou o desembargador ao desejar sucesso na nova missão.

Em seu discurso de posse, a desembargadora Marleide Maciel salientou a dimensão histórica da solenidade. “Assumir o cargo de Desembargadora do Tribunal de Justiça do Ceará, sendo a escolhida na primeira lista destinada somente a mulheres, é, para mim, mais do que alcançar um ponto elevado da carreira. É assumir um compromisso renovado com a Constituição, com as ações afirmativas de gênero, é fazer parte da correção à sub-representação feminina nos Tribunais de Justiça. É assumir um compromisso renovado com a democracia, com a dignidade humana e, sobretudo, com as pessoas.”

 

REFERÊNCIAS

 

A magistrada enalteceu várias mulheres que a inspiraram ao longo da vida e abriram caminhos, como a desembargadora Auri Moura Costa, primeira juíza do Brasil; a escritora cearense Rachel de Queiroz, primeira a ingressar na Academia Brasileira de Letras; Maria da Penha, símbolo de enfrentamento à violência doméstica; além de sua mãe, Maria Senhorinha, “in memoriam”.

 

Foto de um homem que está falando ao microfone em um grande auditório. Ao lado dele, várias pessoas sentadas em uma extensa mesa
Com a posse da nova desembargadora, o TJCE passa a contar com 21 mulheres

 

“Foi com ela que aprendi, muito antes dos livros, que caráter não se negocia, que honestidade não se flexibiliza e que o respeito ao outro não depende de circunstâncias. Observando sua postura diante das dificuldades, compreendi que a verdadeira força não precisa fazer barulho. Ela ensinou-me que a firmeza pode ser serena. Que a coragem pode ser silenciosa. Que a esperança pode ser diária”, destacou a desembargadora.

 

COMPROMISSO COM A JUSTIÇA

 

Ao final, agradeceu o apoio de familiares e reforçou o compromisso com a Justiça estadual. “Assumo este cargo consciente de que cada processo carrega uma história humana. Por trás de cada número existe uma pessoa. Existe uma família. Existe um conflito real. E a toga não nos autoriza a esquecer isso. Acredito profundamente que o Poder Judiciário é um dos últimos espaços em que a sociedade ainda deposita esperança de equilíbrio, de reparação e de pacificação. É aqui que a razão deve prevalecer sobre a força, e o direito sobre o arbítrio”.

A solenidade foi conduzida pelo presidente do TJCE, desembargador Heráclito Vieira de Sousa Neto. Além dele e da nova desembargadora, compuseram a mesa de honra: o procurador-geral do Estado, Rafael Machado; o procurador-geral do Município de Fortaleza, Hélio Leitão; a presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), desembargadora Maria Iraneide Moura Silva; o presidente do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), desembargador Roberto Machado; o procurador-geral de Justiça do Ceará, Hebert Gonçalves Santos; o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), conselheiro Rholden Botelho de Queiroz; o vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará (OAB-CE), David Sombra Peixoto; a defensora pública-geral do Estado, Sâmia Farias; e a vice-presidente da Associação Cearense de Magistrados (ACM), juíza Helga Medved.

Para conferir a cerimônia, basta acessar o Canal do TJCE no Youtube.

 

ELEIÇÃO

 

A desembargadora Marleide Maciel foi eleita pelo Pleno do TJCE, no último dia 30 de janeiro, no primeiro processo do Judiciário cearense exclusivo para concorrência de juízas de carreira. A magistrada, que era titular da 3ª Vara de Família da Comarca de Fortaleza, já exercia a função de juíza convocada da 6ª Câmara de Direito Privado do TJCE.

Aberta por meio do Edital nº 236/2025, a vaga para a desembargadora considerou as Resoluções nº 525/2023 e nº 638/2025 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O objetivo foi assegurar que o Tribunal respeite a proporção, por gênero, de 40% a 60%. A medida ainda levou em conta a Resolução nº 540/2023 do CNJ, que reforça a política de paridade de gênero e de incentivo à participação feminina em funções jurisdicionais e administrativas no âmbito do Poder Judiciário.

Com a eleição, o TJCE voltou a ter 18 desembargadoras, do total de 44 integrantes com carreira na magistratura (quanto aos quais se aplica a política afirmativa do CNJ). Ela ocupa a vaga aberta em virtude da aposentadoria da desembargadora Maria do Livramento Alves Magalhães, em setembro do ano passado.

Desde a chegada da desembargadora Marleide Maciel, do total de 55 integrantes, incluindo as(os) oriundas(os) do Quinto Constitucional, o TJCE tem 21 mulheres.

 

TRAJETÓRIA

 

Filha de Pedro Paulo e Maria Senhorinha, Maria Marleide Maciel Mendes nasceu no dia 20 de setembro, em Fortaleza. Graduou-se em Direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC), no ano de 1983. Tem especializações em Direito Penal, Direito Processual Civil e Direito Público. É mestre em Planejamento e Políticas Públicas, pela Universidade Estadual do Ceará (Uece); doutora em Ciências Jurídico-Sociais, pela Universidad del Museo Social Argentino; e pós-doutora em Ciências Sociais Aplicada, pela Università degli Studi di Messina, na Itália.

 

Foto com homens e mulheres posando para foto, sorrindo, no hall da Esmec
Profissionais do Sistema de Justiça prestigiaram a posse da desembargadora, que tem quase 33 anos de serviços no Judiciário

 

Ingressou na magistratura cearense no dia 5 de abril de 1993, na Comarca de Alto Santo. Passou pelas Comarcas de Mombaça, Crateús e Aracati. No ano de 2000, chegou à Fortaleza. Passou dois anos como juíza auxiliar e depois assumiu a titularidade da 3ª Vara de Família da Capital.

A desembargadora já vinha atuando como juíza convocada do TJCE. Na última eleição por merecimento para compor o 2º Grau, em 31 de outubro do ano passado, ela havia figurado como segunda colocada em lista tríplice.