Integração que fortalece a Justiça: o papel da Esmec na qualificação de servidores
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- 26-03-2026
Com 23 anos de dedicação ao Poder Judiciário estadual, a servidora Luana Lima já participou de dezenas de cursos oferecidos pela Escola Superior da Magistratura do Ceará (Esmec). O mais importante deles está em andamento: o MBA em Gestão Pública e Inovação, realizado em parceria com a Universidade de Fortaleza (Unifor). Ela, que é diretora do Núcleo de Apoio à Gestão do 1º Grau, iniciou a especialização em outubro de 2025 e considera que a experiência tem sido transformadora porque preenche uma lacuna entre o conhecimento jurídico-normativo e a necessidade real de uma gestão mais moderna e eficiente.
“Como servidora, ter a oportunidade de realizar essa especialização é muito gratificante, principalmente por não ser apenas um título acadêmico, mas uma oportunidade de troca real de experiências com colegas de diferentes unidades do Tribunal, o que é riquíssimo. O curso nos traz uma visão de gestão participativa, na qual o servidor entende seu papel como agente de mudança, capaz de motivar a equipe e promover um ambiente de trabalho mais colaborativo e focado em resultados”, descreve.

O técnico judiciário Luís David Martins completou uma década de dedicação ao TJCE em janeiro deste ano e afirma que, desde o ingresso no Poder Judiciário, também tem participado de diversos cursos promovidos pela Esmec. Para ele, as capacitações servem como ferramentas teóricas e práticas para o aprimoramento da qualidade do serviço prestado à população.
“A especialização em Direito Público e Poder Judiciário é o que posso apontar, por ora, como a de maior relevância curricular e profissional. O curso dispunha de uma excelente escolha do quadro de professores, matriz curricular e material de apoio de destacadas qualidades. E a estruturação física — na sala de aula presencial — e a virtual — no ambiente EAD — são bastante propícias ao melhor aproveitamento, pelos discentes, do conteúdo ministrado”, explica o servidor, que concluiu a pós-graduação em 2023.
Lotado na 2ª Vara da Comarca de São Gonçalo do Amarante desde 2018, ele ressalta a importância de alguns cursos que convergem com a competência da unidade. “De fato, a matriz do curso ‘O Juiz e os Serviços Extrajudiciais: Inspeções Cartorárias’, o material teórico utilizado, e a interação com demais servidores e magistrados que atuam nessa competência me propiciaram um diferencial relevante no auxílio prestado aos Juízes Corregedores Permanentes com quem trabalhei”, acrescenta.

Sofhia Oliveira é servidora do TJCE desde julho de 2021 e compartilha o mesmo entusiasmo com os cursos promovidos pela instituição de ensino. “Tenho um vínculo afetivo especial com a Esmec. Realizei meus primeiros cursos na Escola ainda como estagiária de graduação em Direito, quando estava na 7ª Vara de Família de Fortaleza, e fiz cursos referentes às matérias de Direito Civil e Processo Civil. A Escola foi fundamental para o meu desenvolvimento profissional e para a minha posterior posse no Tribunal, no 4º Juizado Auxiliar das Varas de Família de Fortaleza, época em que tive a oportunidade de integrar a pós-graduação em Direito Público e Poder Judiciário, turma de 2022/2023, que me proporcionou não só enorme aprendizado, mas me concedeu amizades e networking”, lembra.
Lotada na Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente de Fortaleza, ela segue participando das capacitações oferecidas, sempre em busca de aprimoramento para uma melhor prestação jurisdicional. “A Esmec, com muito orgulho, fez e continua fazendo parte da minha trajetória”, assegura Sofhia.

As trajetórias de aperfeiçoamento profissional de Luana, Luís, Sofhia e de tantas outras servidoras e servidores só foi possível graças a uma mudança de paradigma ocorrida há exatamente duas décadas, com a ampliação do público-alvo da Esmec. Em 2006, sob a direção do desembargador Ademar Mendes Bezerra, a Escola compreendeu que a política de formação dos quadros do Judiciário não deveria estar restrita a magistradas e magistrados, mas abranger todas as servidoras e servidores, somando-se aos demais centros de formação mantidos pelo TJCE, especialmente pela Secretaria de Gestão de Pessoas (SGP) e pelo Fórum Clóvis Beviláqua (FCB).
O presidente da Comissão Permanente de Avaliação de Magistrados (CPAM) da Esmec e juiz auxiliar da Presidência do TJCE, Marcelo Roseno, era coordenador da Escola na época e conta que houve uma adesão significativa, sobretudo de servidoras(es) da Capital. Logo foram ofertados diversos cursos de especialização, dentre os quais a primeira turma de Administração Judiciária, temática que atraiu quem exercia atividades da gestão.
“Contribuiu para o sentido de unidade de propósitos das diversas corporações que integram o TJCE, uma vez que todas devem buscar, em última razão, o mesmo resultado: que é a satisfação dos jurisdicionados. Sob a perspectiva do crescimento dos alunos, é inegável que a pluralidade de pontos de vista de magistrados e servidores, da Capital e Interior, de unidades administrativas e judiciárias, acaba confluindo para um processo de aprendizagem mais diverso e que, por isso, busca a plenitude”, destaca Marcelo Roseno ao falar dos benefícios proporcionados pela ampliação do público.
A juíza Ana Paula Feitosa, coordenadora da Esmec na atual Gestão (2025-2027), afirma que a inclusão mais estruturada de servidoras(es) no público-alvo da Escola reflete o entendimento de que a formação institucional precisa acompanhar as transformações do Poder Judiciário, integrando cada um que contribui diretamente para a efetividade da atividade-fim, que é a entrega da prestação jurisdicional.
“A formação continuada desses profissionais é indispensável para garantir maior celeridade, eficiência e qualidade na prestação jurisdicional. A qualificação promove o aprimoramento técnico e a qualidade jurídica, oferecendo suporte mais consistente às decisões judiciais. Soma-se a isso a valorização funcional dos servidores, que encontram, na capacitação, oportunidades de crescimento e motivação”, defende a coordenadora da Esmec.
A magistrada reforça que a iniciativa está alinhada às diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e reafirma o compromisso da Esmec em preparar o Judiciário para os desafios contemporâneos, com foco na excelência do serviço prestado à sociedade.
Em 2026, ao completar 40 anos, a Esmec se consolida como uma das melhores escolas judiciais do país, com ampla atuação na formação de magistradas(os) e servidoras(es), bem como em suas atividades de pesquisa e extensão.
Atualmente, além do MBA em Gestão Pública e Inovação, está em andamento a pós-graduação em Direito Público e Poder Judiciário. O calendário acadêmico da Esmec ainda conta diversos cursos de formação continuada sobre temas como judicialização da saúde, direitos humanos, assédio, transformação digital e Inteligência Artificial. As capacitações são realizadas na sede, em Fortaleza, nos Polos de Aprendizagem — localizados nas comarcas de Iguatu, Crato, Sobral e Crateús — ou na modalidade EAD.
“A Esmec deve ser reconhecida e preservada por todos os que fazem o Poder Judiciário do Estado do Ceará como a força motriz das grandes mudanças que todas e todos almejamos, seja quanto à formação técnica, seja quanto às formações cultural e humanística que devem compor o cabedal de competências e habilidades de magistrados e servidores. O maior compromisso que devemos ter é de prestigiar seus cursos e eventos, dar cada vez mais vida e movimento à Escola, e garantir-lhe uma existência ainda mais longa e vitoriosa”, salienta o juiz Marcelo Roseno.
Para a servidora Luana Lima, que viu a Esmec evoluir junto com sua própria carreira no Judiciário estadual, o sentimento é de pertencimento. “Fico muito honrada em saber que o conhecimento que estou adquirindo (e que já adquiri até aqui) ajudou e continuará ajudando a construir os próximos anos da nossa instituição. Para mim, esses 40 anos representam uma Escola que evoluiu junto com o Tribunal e que continua investindo no que a gente tem de mais importante: as pessoas”.
A Esmec completa 40 anos no próximo dia 17 de julho de 2026. Para saber mais sobre essas quatro décadas de história, leia a primeira reportagem da série AQUI.







