1ª edição do projeto Arte para Transformar é encerrada com encontro para estudantes
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- 06-02-2026
A Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) e a Secretaria de Educação do Estado (Seduc) promoveram, nesta sexta-feira (06/02), o encerramento da primeira edição do “Arte para Transformar: Cada Traço, um Ato de Respeito às Mulheres”. A ação envolveu estudantes que tiraram o segundo lugar nos concursos de redação e de pintura promovidos pelo projeto, que debate o enfrentamento à violência contra a mulher por meio da arte da educação.
“Criamos esse estímulo porque desperta no espírito da comunidade, onde o Arte para Transformar é levado, o desejo de participar dessa competição saudável, principalmente porque o nosso objetivo é levar para a consciência desta geração, que será adulta nos próximos anos, o respeito à vida humana”, explicou a presidente da Coordenadoria Estadual da Mulher do TJCE, desembargadora Vanja Fontenele Pontes.
No encontro, realizado no Hotel Sonata Iracema, parceiro do Poder Judiciário nas causas da mulher, a magistrada conversou com estudantes, familiares e professoras(es) das escolas envolvidas. Ainda anunciou os preparativos para a edição de 2026. “Estamos com expectativas de que este ano possamos concluir com as três etapas: a música, a literatura e a pintura”, antecipou a desembargadora.
“É um coroamento muito importante porque em 2025 nós fizemos toda essa trajetória de levar os meninos a fazerem pinturas e produzir redações voltadas para essa questão do enfrentamento da violência contra a mulher. E o TJ tem feito mais do que isso: está valorizando esses estudantes e incentivando todos os outros a participarem. É por isso que estamos confiantes de que agora, em 2026, vai ser um sucesso”, reforçou o coordenador da Coordenadoria de Educação em Direitos Humanos, Inclusão e Acessibilidade da Seduc, professor Wilson Fraga.
REDAÇÃO
Argemiro Gabriel Lopes Batista, da Escola de Educação Profissional Juarez Távora, de 16 anos, foi um dos três estudantes que ficaram em segundo lugar no concurso de redação. O aluno participou do encontro ao lado da mãe, Otília Lopes Batista, que não escondeu o orgulho do caçula, e do professor Francisco Viana, grande incentivador.
O adolescente, agora no 3º Ano, não esconde o interesse em participar da próxima edição do projeto. Satisfeito com o reconhecimento, ele disse que considera importante refletir sobre a temática e acredita que nada justifica a violência de gênero. “Acho muito estranho a gente já ser tão desenvolvido, mas um problema social, estrutural, que foi construído durante tanto tempo, até hoje ainda existir, sendo que todo mundo é ser humano, homem e mulher”, salientou.
Ficaram em segundo lugar no concurso de redação as alunas Elisa Sofia Duarte Borges, da Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Deputado Irapuan Cavalcante Pinheiro, na ocasião representada pela professora de Língua Portuguesa e Redação, Laisy Marcos; e Flávia Lopes da Silva, da Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Estado do Paraná, que não pôde comparecer.
PINTURA
Já Maria Paula Brito da Costa, atualmente com 18 anos, participou do concurso de pintura quando era aluna do 3º Ano na Escola Estado do Paraná. Ter a obra classificada em segundo lugar foi uma vitória para a jovem, que celebrou o reconhecimento ao lado do irmão, Paulo Sérgio. “Eu gostei muito, porque eu me esforcei naquela pintura. E me sinto muito bem por ser reconhecida pela minha arte”, afirmou Maria Paula.
“Eu, como homem, me expressar com a minha arte e levar as pessoas a refletirem, demonstra o poder da arte na luta contra a violência contra a mulher”, destacou Fábio Yzael Barros de Souza, segundo colocado no concurso de pintura entre estudantes da Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Matias Beck. Ele esteve no encontro desta sexta-feira ao lado da irmã, Yasmim Barros, e da professora Sophia Bastos.

A experiência de participar do “Arte para Transformar” foi gratificante para Victor Vieira do Nascimento Soares, de 19 anos, ex-aluno da Escola de Ensino Médio Dr. César Cals. O jovem levou o pai, Edilton Soares, para o encontro de reconhecimento pelo segundo lugar e relembrou a pintura que retratava duas mulheres: uma criança, com elementos que demonstravam felicidade; e uma adulta, vítima de violência.
“Adorei, foi incrível participar! Eu acho um tema perfeito, principalmente porque quem é homem, quem tá pintando a tela, vai se conscientizar mais ainda, vai pensar na situação toda, de retratar aquilo de uma forma que causa impacto também, então eu acho muito importante”, disse Victor.
Ao final do encontro, a desembargadora Vanja Fontelene Pontes agradeceu a participação de cada estudante e ratificou: “Vocês podem transformar o mundo!”
Além das pessoas já citadas, participaram da celebração a psicóloga da Coordenadoria da Mulher, Hanna Helena; o orientador da Seduc, Frankelmo Matos; e a gerente do Hotel Sonata Iracema, Raquel Pinheiro.
SAIBA MAIS
O “Arte para Transformar: Cada Traço, um Ato de Respeito às Mulheres” foi lançado em junho de 2025, com a promoção de concurso de pintura que envolveu alunas e alunos das escolas de Ensino Médio Matias Beck, César Cals e Estado do Paraná, localizadas em Fortaleza. Na época, estudantes transformaram caixas de pizza em telas de pintura, expressando suas reflexões sobre o respeito às mulheres e o combate à violência doméstica.
As obras foram expostas nas sedes do Poder Judiciário, do Ministério Público Estadual, da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Ceará (OAB-CE), da Guarda Municipal de Fortaleza, da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e da Câmara Municipal de Fortaleza; no Fórum Clóvis Beviláqua e na Escola Superior da Magistratura do Ceará (Esmec).
Na etapa do concurso de redação, encerrada em novembro, estudantes de 25 escolas estaduais, da 1ª, 2ª e 3ª série do Ensino Médio, escreveram textos a partir do seguinte tema: “Desafios para a promoção da leitura e da escrita como instrumentos de emancipação das mulheres em uma sociedade violenta e desigual”.
Nas semanas que antecederam a produção dos textos dissertativo-argumentativos, ocorreram oficinas de ciclos literários, nas quais foram debatidos temas como sociedade patriarcal, submissão, estereótipos femininos, ciúme, controle nas relações amorosas, feminicídio, violência extrema, resistência e superação feminina. Foram trabalhadas obras clássicas da literatura brasileira, como “O Quinze”, “Dom Casmurro”, “A Cartomante” e “Olhos d’Água”. As aulas foram conduzidas por discentes do curso de Letras da Universidade Federal do Ceará (UFC).




