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Foto com várias pessoas na plateia e, ao fundo, uma mulher falando ao microfone

Palestra na Justiça estadual debate equidade de gênero na economia e nas relações de trabalho

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A valorização do trabalho feminino na economia esteve no centro do diálogo promovido pelo Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) nesta sexta-feira (27/03). Como parte da programação alusiva ao Mês da Mulher, a Diretoria do Fórum Clóvis Beviláqua (FCB), em parceria com o Comitê Gestor de Equidade de Gênero e o Centro de Formação de Servidoras e Servidores (Cefor), realizou a palestra “A importância do trabalho feminino na economia”. O encontro reuniu servidoras(es) e desembargadoras(es) do Judiciário cearense em um momento voltado ao fortalecimento do debate sobre equidade de gênero.

Na ocasião, a abertura foi conduzida pela desembargadora Ângela Teresa Gondim, coordenadora do Comitê, que ressaltou a importância do compromisso coletivo na promoção de dias com mais respeito e validação às mulheres. “Todos nós que estamos aqui somos fundamentais para que ocorra a construção de uma cultura de equidade e de uma igualdade em forma de justiça. Somos unificadores dessa ideia e dessa mudança que desejamos ver concretizada, ainda que de forma processual, passo a passo”, destacou.

A juíza Solange Menezes Holanda, diretora do FCB, também esteve presente no encontro e celebrou a oportunidade de questões como a atuação feminina ser pauta discutida dentro do Judiciário. “Estamos vivendo uma revolução institucional. Hoje, falamos abertamente sobre temas que há dez ou, até mesmo, cinco anos, talvez não fossem sequer cogitados. Temos a abertura para promover um evento progressista, com uma pauta urgente e importantíssima, pois quando uma mulher é agredida, toda a sociedade perde. Hoje é momento de mudarmos o nosso pensamento, abrirmos nossa cabeça, olhar ao redor e questionar o que nos foi dito antes sobre ocupação dos espaços de decisão e de poder, que também pertencem às mulheres”, afirmou.

Realizado no Espaço da Servidora e do Servidor do FCB, o evento teve como objetivo promover reflexão e conscientização sobre a presença feminina nos diversos espaços profissionais. Para conduzir a palestra, o Judiciário cearense recebeu a juíza de Direito do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Simone Dalila Nacif Lopes, que é mestra em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP) e atua como formadora de formadores da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam).

A magistrada apresentou uma análise sobre a organização social e os papéis historicamente atribuídos às mulheres. “Minha fala parte de uma perspectiva crítica sobre como a sociedade se estrutura, como as mulheres ocupam seus papéis e como transitamos em um sistema capitalista. O objetivo é compreender essas relações, evidenciar que as mulheres ocupam um lugar de subalternização em razão do patriarcado e, por fim, explicar o feminismo como movimento social de resistência”, explicou.

 

RESGATE HISTÓRICO

 

Durante a palestra, fundamentada exclusivamente em autoras e pesquisadoras mulheres, a magistrada fez articulações históricas, resgatando como as raízes de trabalho capitalistas fomentaram a construção de forças de trabalho desiguais.

 

Foto com várias mulheres e homens, em pé, sorrindo, em um espaço amplo
A iniciativa promoveu reflexão e conscientização sobre a presença feminina nos diversos espaços profissionais

 

“Não há teoria que explique melhor as diferenças culturais das mulheres do que a opressão das classes. Entendemos a subalternização das mulheres entendendo as relações sociais. Se partirmos dessa compreensão, o modelo capitalista se pulveriza em todas elas. Podemos pensar na relação de autoridade da família, da sala de aula, do trabalhador e empregador, por exemplo. Nossa sociedade é toda estruturada em relações verticais de dominação e exploração e, assim, as participações que foram delegadas às mulheres na sociedade não são as mesmas dos homens. O domínio masculino se aperfeiçoou e se enraizou. Por isso, nossa luta não é somente por igualdade de salário, é pela compreensão de seres humanos com direitos iguais. É uma luta contra a dominação” alertou a palestrante.

Além disso, a palestrante enfatizou a importância do trabalho dos comitês do Judiciário, que articulam mulheres visando apoio e proteção. “Observamos cada vez mais um Judiciário organizado em comitês que não se resumem à consciência do que acontece nos dias atuais mas ao acolhimento de situações como assédio moral, assédio sexual e violência de gênero. É um trabalho coletivo que estamos construindo diariamente. Vamos, todas, para a luta!”

Participante da palestra, o servidor Marcelo Maia, coordenador de Cultura e Engajamento da Secretaria de Gestão de Pessoas (SGP), citou os principais aprendizados que leva da experiência. “A palestra trouxe a realidade de que as mulheres são penalizadas por formatos construídos historicamente. Essas mesmas mulheres estão nas instituições, na sociedade, no Judiciário e também ansiando dele. O trabalho de reconstrução de atitudes e imaginários não é apenas das mulheres. É essencial que os homens estejam juntos para se educarem, se letrarem e abrirem mão de alguns de seus privilégios em relação a esses temas, para que os esforços se unam em busca da equidade.”

Ao final do evento, Simone Dalila Nacif recebeu certificado de reconhecimento do Judiciário cearense, entregue pela desembargadora Silvia Soares de Sá Nóbrega, integrante da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar. A cerimônia também contou com a presença do desembargador Francisco Lucídio Queiroz Júnior, supervisor do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) do TJCE.

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